"As casas tremem e os Grandes fogem para a floresta dos monstros", disse-me a Pequena Margarida depois de ver 'Vampirilda'. Fiquei a pensar nisto. Na capacidade do teatro em despertar imaginações. Que, um dia, os Grandes fugirão. "O Grande não ficará sempre Grande, nem o Pequeno sempre Pequeno" (B. Brecht). Vai a mentira aos poucos? Ou representada duma vez? A resistência anda passiva, mas recheada de humor, pois já não há elástico que chegue para aguentar com isto. Haverá uma outra maneira de lidarmos com a opressão? Deixar os palcos pela agricultura não me parece viável. Claro que me apetece ir plantar couves. Não, prefiro mentir esse acto em palco. É bem mais que meter as mãos na terra. Gostava que me escutassem. O que tem esse fedelho a dizer do seu Trabalho? Tire-se à educação o educar e ficará mais barata, deixa é de ser educação. Tire-se ao teatro o teatrar e este passa a teatra. Xavier, complicado não é esfiapar frango para as sandes. Complexo é já termos pouco que desossar. Não me peçam para Animar o que quer que seja. Não sou Animador. Há Animadores, exímios profissionais, para tal. Não há que pedir o que não me cabe. Incito-vos a ler a mensagem, de John Malkovich, do Dia Mundial do Teatro (27 de Março) deste ano. Fala-nos de causas pelas quais deve bater um certo coração humano. É por esta vibração, instável, que estrearemos Schweyk na Segunda Guerra Mundial, de Brecht. Antes de tudo, será um espectáculo sobre a força sem paralelo, irónica, positiva e não violenta, que o Homem comum é capaz de encontrar perante qualquer guerra, até a que nos desemprega e nos esvazia o estômago. "A guerra não é eterna. A paz muito menos", diz Schweyk ao cão (mistura de raças) por ainda não nos terem confiscado os batimentos da carne.

Élvio Camacho - Actor