M.J.Rodrigues O Senhor Presidente da República deve ser o garante da estabilidade e da unidade nacional porque é o Presidente de todos os portugueses. Por conseguinte, é incompreensível que o Senhor Presidente da República acuse de falta de lealdade o ex-primeiro-ministro José Sócrates, no prefácio do livro de intervenções "Roteiro VI", na medida em que, para além de ser extemporâneo e inútil, é nefasto para a imagem da credibilidade da sua magistratura. O Senhor Presidente da República não cessa de surpreender os portugueses pelo lado menos positivo, porque ainda há relativamente pouco tempo queixava-se do valor da sua reforma e das dificuldades que tinha para pagar as contas e agora, em pleno exercício de mandato, queixa-se da falta de lealdade de um ex-governante. A atitude do Senhor Presidente da República ao acusar um ex-governante que não está a exercer quaisquer funções, políticas e/ou públicas (como tantos outros), é manifestamente infeliz. Quando seria desejável que o Senhor Presidente da República não suscitasse polémicas que não fazem sentido nenhum e que o seu discurso unisse todos os portugueses, atendendo às circunstâncias dos tempos difíceis em que vivemos, esta atitude vai no sentido inverso, parecendo até uma manobra de diversão para desviar a atenção dos portugueses das dificuldades que vivem, dos problemas sérios que o país enfrenta. E, quanto a isto, o Senhor Presidente da República não é nenhum inocente em termos da sua responsabilidade no desenvolvimento económico e social do país nas últimas décadas, na medida em que foi primeiro-ministro durante dois mandatos.