A Madeira venceu o atraso estrutural que a caracterizava há trinta anos, aumentou todos os nível de bem estar da sua população, qualificou a oferta dos serviços públicos e modernizou-se, aproveitando todos os meios que ao dispor foram colocados visando esses mesmos objectivos. No entanto, passado esse tempo, a Madeira vive o seu pior momento da era da autonomia. A imagem externa é a pior, no seio da sua pátria e no estrangeiro, a recolher, permanentemente, observações injuriosas que a afundam na notoriedade. Os seus produtos externos não são capazes de inverter esta tendência. O CINM carece de um novo enquadramento, reclama um entendimento que tarda e a admissão da sua utilidade, mesmo que isso signifique uma profunda remodelação da sua actuação, organização, amplitude e cobertura geográfica. O turismo é incapaz de apresentar indicadores que permitam a sustentabilidade do sector, com taxas de ocupação preocupantes e teimosamente a rondar cinquenta por cento da capacidade instalada, com uma evolução nos preços que transforma o destino num sítio barato e sem qualquer correspondência à qualidade que se oferece. É um sector que vive sem um plano estratégico, que num espaço de três anos (2008/9/10) registou os extremos do seu desempenho - o melhor e o pior dos anos. Foi o sector que beneficiou do maior "capital de simpatia" externa (após o 20 de Fevereiro) alguma vez verificado e que um ano após o viu-o transformado num "capital de antipatia". É o sector que vê o seu "grande" cartaz do fim-do-ano atrair mais "hóspedes" nos cruzeiros do que nos hotéis. É também o sector que não encontra, no orçamento regional, correspondência, face à sua contribuição para a economia regional. Internamente vive-se uma conjuntura de ajustamento da nossa autonomia que só poupou a sua expressão política, por via da aplicação de um programa estritamente financeiro, necessário e oportuno mas cego, sem qualquer dimensão ou expressão económica e que, apesar da convicção de que a população da Madeira o cumprirá, não levará a que a Madeira cumpra os objectivos propostos. A Madeira perdeu o "slot" da mudança de paradigma. E perdeu-o porque não se previa a precipitação dos acontecimentos que ocorreram. Mas a vida é mesmo assim, "o futuro a Deus pertence" e o segredo do homem está na capacidade de antecipar as decisões. Tudo isto é importante mas já pertence à nossa longa e rica história. Hoje impõe-se reagir, acreditar e trabalhar... muito! É por isso que se impõe uma nova Visão para a Madeira, uma nova Mensagem e, sobretudo, uma nova Atitude!

Eduardo Jesus - Economista