Por vezes reclamamos que na nossa Região há falta de grandes e diferentes eventos, que dêem aso a que as pessoas se divirtam, distraiam mas sobretudo possam conviver, rir e fugir da rotina tão pesada do nosso quotidiano. Também é verdade que muitas vezes nem sequer nos damos ao “trabalho” de procurar e na maioria das vezes está mesmo à nossa frente. Foi o que aconteceu comigo no passado mês, onde tive a oportunidade, após um convite, de assistir à peça “As conversas da Maria Joana” de Joana de Andrade, no Auditório da Casa do Povo da Camacha. Aqui bem perto de mim e eu desconhecia por completo o que ali se passava.
Pude aperceber-me que nessa semana, entre os dias 16 a 26 de Fevereiro, ocorria na nossa Região o Festival “Amo-te Teatro”, sob a organização do Teatro Experimental da Camacha. Este evento vai já na sua 3ªedição e contou com a presença dos mais variados grupos teatrais, desde madeirenses, a todo o Portugal, segundo pude constatar. O teatro é vida e é também sem sombra de dúvidas uma forma de expressão e de lançar sementes de cultura. Através deste tipo de expressão é possível testemunhar a influência da cultura de um povo na sociedade em que se insere. È uma iniciativa de louvar, e penso que como estas muitas mais deviam existir durante todo o ano. E a crise não pode ser desculpa para ficarmos em casa, afinal “…tristezas não pagam dívidas…” não é o que o povo diz?
Um bem-haja a esta organização e todas quanto ao longo do ano dão o “litro” para que se fomente cada vez mais esta partilha de saberes, estes nossos traços culturais, que se fuja ao arrastar da maré e que se possa fazer de um dia normal um dia diferente. Admiro pessoalmente estas pessoas e estas iniciativas, e sim, são com elas que o país avança. Quem fala do teatro, fala também de muitos outras áreas.
Nesta época que vivemos, de Quaresma, possamos nós estreitar estes laços que às vezes se “enferrujam” com a azáfama do dia-a-dia, aproveitando a vida ao máximo pois é através destes pequenos momentos que se consegue desfrutar daquilo que a vida tem de bom, pois se nós não a vivermos, ninguém a viverá por nós, disso podemos ter todos a certeza!
João Francisco Dionísio - Colaborador AAUMa