A geração dos nossos pais viveram tempos de enormes dificuldades em plena noite escura do salazarismo e da ditadura. A famigerada lei da colonia que durou séculos parecia ter terminado com a chegada da democracia e com o advento da autonomia. Pareceu, mas já não parece. Hoje começamos a sentir que pagamos para viver na nossa terra, parece que somos novamente uma espécie de "colonos" que para cá vivermos, temos de pagar as loucuras dos senhorios da Madeira Nova. Esta estirpe de senhorios instalou-se no poder há décadas e, à nossa custa, foram vivendo à tripa-forra, como se não houvesse amanhã. Dívidas atrás de dívidas, consumiram o presente e futuro dos nossos impostos. Tratam-nos no discurso como um povo superior e inferiorizam-nos diariamente com mais impostos, para pagarmos os erros por eles cometidos mas que não têm a honestidade de admitir. Eles não assumem os erros que cometeram, são incapazes de ter a honestidade de assumir quaisquer responsabilidades pelo que fizeram e continuam a fazer. Continuam a empurrar as responsabilidades para Lisboa e para a República mas a canga está em cima dos Madeirenses e Porto-santenses, com mais impostos, cortes nos ordenados e nos apoios sociais. Com o Orçamento Regional de 2012 criaram-se duas autonomias completamente distintas: a dos Senhorios da Madeira Nova que vive à custa do povo da Região e a do pobre povo da Região que sustentou e continua a sustentar a loucura e os caprichos dos Senhorios da Madeira Nova. Ou seja; em bom português; os primeiros gastam e os segundos pagam e bem. Pagam com o seu suor e com o seu trabalho, isto quando têm trabalho para suar, porque como se tem visto, o nosso presente e futuro são, infelizmente, cada vez mais os tempos da colonia em que a miséria e a pobreza eram uma realidade diária em que mal se comia e a única solução era mendigar ou emigrar e o nosso povo não merecia voltar triste e miseravelmente atrás no tempo.

Victor Freitas, Presidente do PS-Madeira