A Madeira lançou mais uma campanha de promoção turística no mercado nacional, em tempo de crise, em que o dinheiro não abunda, e numa ocasião em que, nota-se, nem há muita gana para retribuir favores. Mas a Bolsa de Turismo é para aproveitar, e deve ser aproveitada, porque o fluxo turístico nacional é de grande importância para o arquipélago. Nem que seja para lembrar que existimos, não serão dados por mal empregues os milhares de euros que serão aplicados nos próximos meses nos meios portugueses. A Região Autónoma, através do departamento governamental que tutela o turismo e das empresas envolvidas na actividade turística, aposta uma vez mais, e bem, na captação de turistas do continente, mostrando-lhes as nossas belezas e as nossas potencialidades para receber visitantes. Madeira todo o ano faz um apelo a este destino de sonho, onde a Natureza, com destaque para a vegetação luxuriante da Laurissilva, se associa à hospitalidade dos madeirenses, para receber os habitantes do rectângulo, contra quem, há poucos dias, políticos com pouco juízo e visão curta, vociferavam impropérios e os culpava da ‘macacada’ que vai neste País. Não será bem assim, dirão alguns, já que as lutas político-partidárias se dirimem em palcos exclusivos ou definidos. Pois é, deveria ser, mas infelizmente, isso não tem acontecido e entre a brejeirice do discurso de circunstância e o recado que pretendem enviar para quem lhes cortou as vazas, lá vai a ofensa e o rebaixamento desnecessários para quem se sente até enganado por, de uma maneira geral, ter ajudado e não ser reconhecido por tal. Sem complexos de colono, como é comum dizer-se e imputar-se contra quem não se entrega ao combate do tal inimigo imaginário, acho que devemos parar e pensar. Não precisamos grande sacrifício para reconhecer quem nos ajudou em outras ocasiões. Fevereiro de 2010 é um exemplo suficiente neste tempo novo, já que se vamos falar dos impostos que Salazar lançou impiedosamente sobre o Povo Madeirense vamos perder tempo com os revanchismos que a História nos conta e que pouco ajudam neste posicionamento. Mas esse capital de simpatia e de esperança foi perdido no ano passado, quando a governação madeirense pensou que tinha o rei na barriga e disparou flamejante contra o dragão cubano que queria roubar a ilha e entregá-la aos corsários da trilateral… Metemos todos dentro da mesma caravela e embrulhámos na mesma folha de bananeira, maus e bons, espezinhados pelas altas vozes que vociferavam do Atlântico contra o continente. É este o cenário, pintado a negro e com algum exagero, porque é necessário que todos entendam e reconheçam que foi a Madeira que se comportou mal. E é este quadro que precisamos mudar, por nossa iniciativa. Mas, descansem os que se incomodam quando mostramos a alguém o reconhecimento por se terem lembrado de nós, que não precisaremos estar de cócoras na Ponta de São Lourenço para saudar os visitantes – se a imagem ajuda deixo-a aqui, se bem que com algum medo de ser mal entendido –, mas sim de saber estar e actuar num arquipélago que precisa de todos e de usar alguma diplomacia na forma como lida com a opinião pública e com as pessoas. Mais do que nunca precisamos de todos e como terra de turismo não necessitamos passar para fora essa imagem de regabofe e de heróicos lutadores contra a pressão colonialista de um império morto e sem força sequer para curvar qualquer trupe de escravos, onde quer que seja. É esta a guerra virtual em que perdemos mais do que ganhamos e nos sujeitamos ao ridículo. Neste dia, em que dezenas de profissionais madeirenses procuram, em Lisboa, cativar agentes e operadores de viagens, nacionais e estrangeiros, e mostrar-lhes que este apêndice territorial de Portugal é do melhor que há para férias, vai para eles o meu pensamento. Precisamos de mais turistas, de recuperar fluxos perdidos e de trazer de volta, nem que seja a esperança de que os viajantes portugueses retomarão a rota das ilhas, quando a crise acabar. Entretanto, há mais mercados para trabalhar, mesmo que essas viagens não sejam tão agradáveis como um salto a Londres, a Paris ou a Berlim. Madeira o ano inteiro. Sim. Sem complexos e sem veleidades.