Que já é habito e até mesmo tradição do sistema partidário português em período de campanha eleitoral ter repentinas chamadas de consciência sobre assuntos base para a Nação, já nenhum eleitor dúvida da certeza deste acontecimento.

Como é claro e como seria impossível de conceber o mais ligeiro quebrar desta tradição que os nossos políticos tanto apreciam, estas eleições legislativas não foram caso à parte, tendo todos os partidos, sem excepção, pisado e lacerado ainda mais as feridas ainda cruas das tragédias governamentais que já antes de 1974 corroem Portugal, uma das feridas escolhidas nestas eleições foi sem sombra de dúvida a Cultura.

Desde da restituição da Democracia Portuguesa, o assunto da cultura tem sido usado pelos constantes governos e partidos como uma bandeira patriótica e um bem maior a defender, mas o certo, é que quando a campanha destes acaba, simplesmente verifica-se um abandono completo e assiste-se a mais um ciclo de 4 anos de negligência ao redor deste mesmo assunto, até uma nova campanha para as legislativas.

Mas já nada surpreende, principalmente, quando num acto condenável é proclamado como solução, subtrair a importância da cultura do panorama governamental, ficando nós, cidadãos, vendo todos aqueles políticos e “Mentes Pseudo-Brilhantes” pouco a pouco degradando a nossa existência como povo, através do enterrar paulatino da nossa Literatura, da nossa Pintura, Escultura, Música, Teatro e tradições! Entregando-os sem dó nem piedade à iniciativa privada, virando costas e enviando o que é “Culturalmente Nosso” para a mais escura das vontades Elitistas.

36 Anos de Democracia, 16 anos de Ministério da Cultura, um ciclo infinitamente vicioso de mandos e desmandos, organizações completamente desorganizadas, fundos e políticas culturais que apenas funcionam às arrecuas por falta de solidez e liderança competente. Há falta de alguém que vá além de uma cultura apenas e essencialmente política e que saiba que a cultura em plenitude e na solidez de uma política cultural bem estruturada, torna-se num garante de equilíbrio de qualquer Nação desenvolvida, ou, que queira como tal ser reconhecida.

Mas, enfim, tal como o vento sobe e desce a encosta arrastando consigo as folhas até ao momento em que dá como terminado o seu trabalho, deixando-as estáticas, a apodrecer, até não haver nem inicio, nem meio e muito menos esperança de um fim, assim certamente será mais uma vez o destino da cultura, quando o vento destas legislativas parar, esquecendo esta temática mais uma vez, selando novamente o seu destino por um ciclo de 4 anos de completo desgoverno.

E, assim, vive-se a cultura de um Portugal que cada vez mais remete-se ao culturalmente emprestado, ou, já não estejamos nós Portugueses habituados a viver neste País também ele emprestado ao Deus Dará…

Diogo Gonçalves, Colaborador da AAUMa