João Freitas Há cerca de 2000 anos, em Roma, era imperador Júlio César que se vinha afirmando como ditador. O Senado Romano não gostava e gerou uma conspiração. Júlio César foi apunhalado por Brutus a quem chamava filho. Destino atroz! Conheci, quando jovem, um rapaz a quem chamavam Janica, que era órfão de pai, como eu. Por tal razão simpatizei com ele. Era o Janica fraco aluno, muito mimado, fazia-se engraçado, ou julgava-se tal. A família perdoava-lhe as tropelias pela sua condição de orfandade. O Janica cresceu e meteu-se em trabalhos, negócios que resultaram mal e gastos sumptuários de menino pretensamente rico. A família ia atalhando os males e reparando os desmandos. A situação agravou-se com os anos e o cavalheiro Janica foi-se endividando muito para além das suas possibilidades, até que um dia a família já impotente para suportar-lhe o comportamento e pagar-lhe as dívidas, decidiu por fim à situação. Reunida, a família ponderou interditar o estroina Janica por prodigalidade (esbanjamento dos bens) mas achou mais conveniente cortar-lhe as mesadas e honrar o pagamento das dívidas que fizera, controlando-as rigorosamente. O Janica, abandonado pelos amigos que dele se aproveitaram e que passaram a dizer, pela calada, que ele estava maluco, submeteu-se à mediocridade, sem meios para viver como rico que nunca fora. Destino fatal! Na antiga Roma o Imperador Nero, que se dizia Deus, mandou incendiar aquela cidade. Ao morrer louco, como diziam estar, lançou a seguinte exclamação de auto admiração: "Qualis artifex periit" - que artista morre! Destino trágico!