Desde a geração rasca à geração dos recibos verdes, os jovens portugueses têm tido vários rótulos ao longo da última década. Mais recentemente, a falta de oportunidades gerada pela conjuntura económica criou uma autêntica geração à deriva. Longe vão os tempos em que dar aos filhos um curso superior era sinónimo de sucesso na sua vida profissional. Actualmente, este investimento levanta sérias dúvidas sobre o seu retorno. Em alguns anos os licenciados deixaram de exibir orgulhosamente o seu curso no currículo e passaram a ocultá-lo, pois só desta forma é que conseguem ter acesso a empregos de baixas qualificações. Seja por falta de experiência ou por excesso de qualificações, a verdade é que o mercado de trabalho tem vindo, ao longo dos anos, a dificultar a entrada aos jovens. Resultado: em Dezembro de 2011 o desemprego jovem alcançou o valor mais alto de sempre, atingindo os 30,8%. É sabido que a falta de trabalho sempre afectou de forma agressiva os mais novos, que a par das mulheres e dos mais velhos, são os grupos mais vulneráveis em matéria de emprego, no entanto os dados do INE mostram que a taxa de desemprego jovem é superior ao dobro da média nacional (13,6%). A Comissão Europeia, ao aperceber-se deste flagelo, tomou a iniciativa de criar programas de apoio e combate ao desemprego jovem nos 8 países com taxas mais elevadas (onde se incluí Portugal). A iniciativa é louvável, mas de nada servirá se o tecido empresarial não tiver a capacidade de resgatar os jovens de situações de desemprego, dando-lhes a possibilidade de fazer carreira nas suas áreas de especialização. Com uma população cada vez mais envelhecida é urgente criar condições para manter os jovens em Portugal. Se não formos capazes de criar uma conjuntura favorável ao desenvolvimento profissional dos mais novos, corremos o risco de vê-los fazer carreira e desenvolver as suas capacidades noutros países com condições mais atractivas.
Pedro Nunes - Economista