Somos 1,2 milhões de desempregados que terão agora, um "gestor de carreira". Soa ridiculamente bem, quando 35.4% dessa legião desocupada é de jovens até 24 anos de idade. Sem as bem cotadas dicas do super-gestor Catroga ou doutro "boy" qualquer. É a nossa sina pascal. De jejum involuntário. De necessidades forçadas e acanhadas. A ressurreição não será certamente ao "terceiro dia". As escrituras do memorando e destes fariseus tecnocráticos, não são sagradas nem confiáveis. Somos cabritos pascais, que silenciados se alinham, à degolação. Do cálice do nosso sangue, exala o fugaz calor da chacina. Empurrados à agonia, sem escusa ou súbito impedimento presidencial. Confronto a desejada longa vida, com uma velhice pobre e solitária. A morte é redentora, até à descoberta da carcaça mumificada de quem não faz falta. Há menos famílias capazes de encaixarem neste sufoco. Nem o sangue rejuvenescedor das novas crianças surge. Se Sócrates as fez nascerem em Espanha, Passos e Portas são o mais eficaz preservativo nacional. Desprovido de gozo carnavalesco. São o medíocre estigma da austeridade musculada. Ao desastre dos desperdícios, orçamentam-se receitas impossíveis. Por mais homilias e encontros que o PSD/CDS arrebanhem pela ilha, o resultado será "aguentem-se". Os cordeiros amestrados da Madeira que se preparem. Já se conhecem pagantes e isentados. Em torno do paraíso fiscal vedado, há um transbordante inferno fiscal. Das culpas sacudidas, não há virtudes nem santinhos de missais. Há fantasmas com alter-egos entrincheirados, na demência, mantendo mordomias e as últimas botijas de poder. Com adornos institucionais e mandatários improváveis. Os coligados estão aqui. A coligação é genética. A retórica é "para madeirense ver". Em diferentes sessões, no mesmo circo.

Donato Macedo, Licenciado em CCO