Ainda ontem via o presidente do Conselho Directivo da Jaime Moniz a reconhecer que já não havia telefone na escola há dois meses e que o bar havia sido entregue a privados porque aquela escola não tinha dinheiro para pagar aos fornecedores. Imaginem, o "Liceu" à rasca e outras tantas escolas com grandes dificuldades para fornecer refeições aos alunos (talvez a única refeição quente de alguns), enquanto o presidente do Governo Regional dava um almoço à equipa de cardiologia que o safou de boa. Presumo que Jardim pagou do seu bolso, outra coisa não seria de esperar de quem prega honestidade e se diz feliz. É justo e bonito o reconhecimento, mas talvez pudesse comprar alguns medicamentos que fazem falta todos os dias aos doentes do mesmo hospital que o ajudou, para além de pensar na probabilidade de que nem todos os que foram ao almoço o queriam fazer. Fez-me lembrar aqueles milhares de jantares em plena campanha, com o buraco ali bem perto. E hoje, enquanto escrevo, discute-se na Assembleia o corte no jackpot dos partidos. Discute-se, mas não se aprova a redução dos mais de quatro milhões porque a proposta não é do PSD. E o jeitão que esses euros dariam às escolas? Não senhor, porque a educação com qualidade não é tão importante como a política nem como 47 "eleitos" aos insultos uns com os outros. E depois ainda vem um "opinion maker" do JM dizer que, afinal, aquele jornal não recebeu quatro milhões em 2011, nem chegou a três! Música do "Teixeirinha", tal como o GR não devia dois milhões ao Madeira Medical Center, era só um milhão e seiscentos mil! Parece a marina onde se entra a pé: não há dinheiro para nada, aqueles caixões de betão multiplicam-se todos os dias. Deve haver fêmea por aquelas bandas… Enquanto são onze horas no continente, menos uma nos Açores e menos seis milhões na Madeira, nenhum pauleiro chegou a tempo de reclamar aquela lancha rápida que trouxe três traficantes (alegadamente) espanhóis e que, valha-nos Deus, nunca chegaram a sair da sua terrinha. A nossas autoridades, céleres a apreender o carro, o equipamento e o quilo a mais de lapas do pescador de ocasião que queria fazer um arrozinho, não viram nada, não estavam lá. Tal como não estavam na Cancela para evitar um assassinato, mas estão pela rua toda até à recta do Garajau a multar o condutor que deixa passar a hora do parquímetro. Ou metidos num "meio carro", parados em cima do passeio e com o radar activado. Ou em grandes e mega operações stop para apanhar o canivete suíço, enquanto todos os dias há dezenas de assaltos e agressões graves nas suas barbas. Um pouco como os atentados ambientais ou a exploração de inertes: é sempre o cidadão ou a comunicação social que descobre e denuncia. As autoridades nunca têm conhecimento e são apanhadas de surpresa. E finalmente o nosso desporto. Com um Marítimo em grande, o Nacional e União a recuperar, parece que anda tudo sobre rodas. Mas não nos esquecemos das faltas de comparência, das exclusões dos campeonatos, das piscinas fechadas e dos ordenados em atraso. Este é o resultado, não só da austeridade como consequência da loucura, mas também das grandes cabecinhas pensadoras que governam esta região e os nossos clubes. Fazem-no como ricos, para ricos. Basta ver quem vai à bola e paga o seu bilhete. Ou parar num campo de golfe, ver o parque automóvel e o brilho da vestimenta e perguntar porque é que aquela gente paga IVA a 6%, pobrezitos. Valha-nos o europeu de vela que homenageia (bem) o João Rodrigues, o penta-olímpico que corre o risco de ir aos jogos já reformado. Não seria tempo de apostar em outro jovem?!
Paulo Gomes