O que a crise veio deixar claro é a impreparação da economia madeirense para enfrentar um período de recessão. Uma economia torna-se robusta quando produz bens que se diferenciam no mercado e por isso são procurados por consumidores de outros mercados, numa palavra: exportação. Ora, a capacidade das PME's privadas madeirenses exportarem em larga escala e constituírem sólidas bases de emprego na Região é uma miragem. As que o fazem são excepções. Não apenas pelos constrangimentos estruturais, mas igualmente pela falta de mais incentivos e apoios públicos que permitissem o surgimento e a consolidação de empresas privadas. O sector público na Madeira, fruto de uma miopia política, tomou conta da Economia regional. É o grande empregador e aquele que injecta capital e faz mobilizar o consumo. Acontece que as teorias keynesianas revelam-se neste momento um falhanço completo e começámos a viver o pior cenário: sem liquidez e atrasado nos prazos de pagamento aos fornecedores, o Governo assiste ao fecho de empresas e ao desemprego que vai batendo recordes. Não seremos os mesmos depois desta fase recessiva, que já deixou e continuará a deixar marcas profundas na Madeira. É neste contexto que o comentário de Angela Merkel, a chanceler alemã, é mais do que adequado: "Quem já esteve na Madeira, deve ter ficado convencido que os fundos estruturais europeus foram bem aplicados na construção de muitos túneis e autoestradas, mas isso não conduziu a que haja mais competitividade". É bom que a senhora não conheça bem a Madeira. Se cá viesse diria muito pior.

Luís Sena Lino, Consultor Marketing e Comunicação ([email protected])