Com amigos assim, quem é que precisa de inimigos, deve ser o que neste momento estará a pensar o secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais, depois dos rasgados elogios que recebeu do seu chefe. Manuel António Correia foi elevado à categoria de 'excelência' por Jardim o que, noutros tempos, significaria duas coisas: que entrava na lista dos delfins, com tudo o prestígio e estatuto que isso representava e que, como os seus pares, ficaria nessa condição até se reformar.

Desta vez é pior. A televisão mostrou, naquele resumo do esclarecimento político-religioso do fim-de-semana, que o entusiasmo com que o público aplaude o líder do PSD e, ainda, do Governo Regional, esmoreceu muito. Meia dúzia bateram palmas, muitos outros ficaram a olhar para quem, no meio dos cartazes das anonas, tentava explicar uma dívida monstruosa e tecia considerações sobre o futuro do País, como se as suas análises tivessem credibilidade, face ao resultado da governação.

Manuel António foi elogiado, mas provavelmente preferia não o ter sido e ficar, discretamente, à margem e fora de um filme muito complicado. Neste momento, receber elogios de Jardim é meio caminho andando para andar para trás, sobretudo numa carreira política com objectivos legítimos. Como os tempos mudam...