Manuel João Baptista Rosa A bem do rigor histórico da evolução do desporto em Santana aqui vai a minha modesta contribuição dividida em cinco etapas: 1ª Nascimento (década de 50) - inauguração do Campo Municipal; 2ª Lançamento - durante as duas décadas que se seguiram o campo foi utilizado apenas aos fins-de-semana com "peladinhas" entre jovens da terra e, no Verão, surgiam equipas forasteiras que desafiavam uma equipa local, reforçada normalmente pelos irmãos Craveiro e Adão. Porque têm sido esquecidos, quero aqui prestar homenagem às pessoas que, na minha opinião, mais contribuíram neste período para lançar o gosto pelo desporto: Basílio (treinador), Faria (o melhor jogador de Santana até hoje), Jaime (Chefe da Repartição de Finanças/jogador) e Escórcio (animador/cozinheiro dos convívios) entre outros. Este foi o período mais bonito pois não havia outro interesse que não fosse a prática do desporto pelo desporto; 3ª Crescimento - com o 25 de Abril surgem dois clubes. O Santana inscreve-se de imediato no campeonato regional da II - Divisão ficando logo em 3º lugar, tendo sido considerado o clube cuja equipa melhor futebol praticou (e só com jogadores da terra). Mas como toda a fase de crescimento implica crise, logo surgiu um segundo clube (Pico Ruivo) a competir com jogadores quase todos forasteiros, situação essa que dividiu recursos materiais e pessoas. Foi no entanto um período de grandes feitos desportivos, sem quaisquer apoios oficiais e que muito bom-nome deram à freguesia; 4ª Maturidade - a fusão dos dois clubes, com a consequente extinção dos mesmos e nascimento da União Desportiva, acaba com rivalidades desnecessárias e aglutina as pessoas e recursos num só projecto. Geriram com poucos recursos mas não deixaram défice pois estavam habituados a governar com pouco - eram ainda os dirigentes dos antigos clubes; 5ª Declínio - aparecimento de apoios oficiais em grande escala e de uma nova classe de dirigentes ("a cigarra branca") que define objectivos utópicos (subida aos nacionais) esbanjando todos os recursos e criando um défice de tal ordem que conduziu à insolvência e provável extinção do clube. A "formiga branca", como foram apelidados os dirigentes que geriram com equilíbrio o património do clube, revelou-se afinal ter sido a melhor solução. Esta sequência de factos e os seus protagonistas foram importantes num processo que terminou mal, mas que encerra uma lição para o futuro do que não deve ser feito.