"Gostaria de ver as escolas privadas proibidas, para obrigar as famílias ricas a investir no ensino público". Este excerto, de uma reportagem sobre Warren Buffett, fez-me parar na leitura. O terceiro homem mais rico do mundo afirma ainda que "nenhum Buffett alguma vez frequentou uma escola privada". Perspetivas que nos convidam a refletir sobre o papel da escola no sucesso do indivíduo. É possível a escola pública percorrer o caminho da excelência. Um caminho que não significa colocar todos os alunos nas universidades. Significará responder pedagógica e diferenciadamente às carências diagnosticadas. Para tal, urge repensar a gestão escolar, ultrapassar a execução administrativa e centrar-se na direção pedagógica. A RAM percorreu um importante caminho, porém outros desafios se colocam. É hora de reunir a diversidade de estruturas e projetos, de níveis e modalidades, e implementar uma visão holística do pré-escolar ao secundário, integrando conjuntamente o ensino especial e profissional. A diversificação foi importante, mas compartimentou demasiado. Concentrar meios e recursos, em estruturas pedagógicas mais verticalizadas e supervisionadas, onde os processos de decisão sejam partilhados mas concentrados e conhecidos por todos, permitirá o acompanhamento e o sucesso. Trilharemos este percurso, revendo a autonomia e gestão das escolas, implementando a autoavaliação das organizações, que se querem aprendentes, e formando os decisores escolares. Fazê-lo, não por austeridade mas por responsabilidade. Responsabilidade pelas melhores respostas que otimizem recursos e formem os melhores alunos, rumo ao sucesso do indivíduo e da cidadania.
Nuno Maciel, Professor