Qual CINM, qual turismo, qual 'troika', qual chuva, qual quê! Depois destes anos todos e do inevitável desgaste governativo, Manuel António é “a grande esperança para a Madeira”. A garantia de qualidade voltou a ser assegurada ontem por Jardim, não se sabe se por simpatia momentânea, se por convicção profunda ou se devido aos números da anona, da banana, da cidra, da cereja, do brigalhó, do pêro, da castanha e de todas as frutas que permitem que haja palco para que o senhor presidente do governo da região que já foi autónoma possa mostrar-se ao povo, discursar, pedir votos, ofender opositores e prometer o impossível.
O “notável” secretário do ambiente e recursos naturais já tinha sido convocado à selecção de esperanças num passado não muito distante, quando o comentador televisivo Marcelo Rebelo de Sousa o colocou na ‘pole position’ de uma sucessão sucessivamente adiada. Como todos se lembram, não só não foi a jogo, como se limitou a ir bater ao banco dessa espécie de ‘dream team’, que até já teve direito a cromos, mas que está agora transformada em equipa de respeitáveis veteranos.
Porventura, se nada mudar na Madeira, daqui a uns anos, quando já for avô, o governante que tutela tudo o que de regional vai à mesa voltará a ser esperança, tal como já o foram e irão ser tantos outros, escaldados pelo elogio fácil, quase sempre associado a dispensas difíceis de gerir e digerir.
A Madeira é terreno fértil para talentos promissores. Uns mais previsíveis do que outros, sobretudo quando deliram nos ataques ao jornalismo com o qual brincam à política e sugam uns valentes euros ao erário, embora tamanha obsessão seja a única forma de mostrar disponibilidade para as ‘esperanças’. Mas não se iludam os que gostam de opinar para agradar quem os vigia, mas detestam ser comentados e ser alvo dos reparos públicos; os físicos das notícias, especialistas em descobrir se têm carga negativa ou positiva; ou então os que sentem dores na cabeça, também pelos enfeites que não são para aqui chamados. Enquanto Jardim por aqui andar, nem governo, nem PSD conseguirão cumprir o sonho de dar lugar aos novos, até porque um e outro são reféns dos jogos mesquinhos de quem os usa para ajustes de contas, como prova o propósito consagrado em moção para que, pelo menos o partido, fique “livre de interesses pessoais”.
O que não falta na Região são grandes esperanças, todas elas marcadas pelas atitudes do seleccionador. Que o digam os cinco mil jovens no desemprego!