Miguel Alves Sonho, pesadelo? Não, Triste realidade Então, Quero esquecê-lo Quero e queria Jamais vivê-lo Funesto dia Mísera verdade Outrora fértil beleza Esse abismal fraguedo Empolgado p'la natureza Tragava gente indefesa Virando escarpas do medo Nefastas nuvens tenebrosas De negro luto vestidas Brotavam sem fio de mágoa Nessas escarpas rochosas Montante bruto de água Ceifando inocentes vidas Sôfrega ribeira, que brava Qual dó de quem não tinha O habitáculo que deslizava Nessa ribeira traquina E os parentes que tragava Negra noite, rude apagão Sem luz nem comunicação Formas de socorro travadas Por destruídas estradas Aos gritos de aflição Dos corpos sucados à cama Essa dor que jaz na lama Na barrenta confusão Nas torres plangeram sinos No adeus a entes queridos Luto, dor e desalento Contados como proventos Dos momentos lá sofridos