Como era de esperar o Ano Turístico de 2012 está a começar mal. Os Invernos estão cada vez mais fracos e a Madeira está a tornar-se um destino sazonal. Tem uma semana muito boa no período baixo - a passagem de ano (que mesmo assim este ano pela redução do mercado interno não foi o que era hábito) - mas entre Novembro e Março a ocupação é para esquecer. Os operadores com as suas políticas de concentração em destinos e exploração de destinos protegidos contra as companhias de aviação de baixo custo reduziram a sua apetência pela Madeira. A opção, de muitos destes operadores, de se terem tornado hoteleiros também tem necessariamente impacte neste desempenho. Basta comparar o que operadores como a TUI tem em Cabo Verde ou a Thomas Cook na Tunísia, destinos com pouco mais de 10 anos de história turística, e o que apostam e produzem no Destino Madeira onde marcam presença há mais de 4 décadas para se perceber as estratégias que têm sido seguidas. Por outro lado a Madeira não conseguiu atrair um conjunto de voos de origem diversificada das chamadas companhias de baixo custo que lhe permitisse entrar definitivamente noutro modelo do negócio turístico. As chamadas "low cost" estão hoje a voar para Madeira de meia dúzia de cidades (incluindo Lisboa e Porto) enquanto por exemplo o Algarve ou as Canárias atraem voos deste segmento de mais de 30 aeroportos europeus distintos. Também a Madeira não conseguiu atrair, e muito dificilmente o poderá fazer pelas características da sua natureza, um "Hub" de uma qualquer companhia de aviação. Resultado, temos Invernos sem voos, sem operadores, e com as unidades hoteleiras "às moscas". Vamos aceitar isto como inevitável? Claramente não podemos! Primeiro porque temos produto. Para as motivações dos turistas de Inverno o Destino Madeira responde bem e é um óptimo produto. Depois porque a economia regional que depende muito do Turismo terá tendência a, pelo menos a curto prazo, ainda depender mais. Por isso, não só os hotéis, mas uma parte substancial da actividade empresarial e da região, precisa de turistas como do "pão para a boca" (literalmente para infelicidade nossa). Assim, é preciso reagir e agir. Mas se ficarmos à espera do sector público não vamos lá chegar. A prioridade da política pública em Portugal é pagar a quem devemos para deixarmos de andar de mão estendida. Por isso não será por aqui que podemos contar que nos resolvam os nossos problemas. Por outro lado a actividade turística é privada e, portanto, esta deve-se assumir como tal sem se encostar ao quentinho do sector público que tão mau resultado deu para o País e para esses sectores de actividade. Vamos então pôr a cabeça a pensar, trabalhar em conjunto e encontrar as soluções para os nossos problemas. Sem pieguices … que essas não nos levam a lado nenhum.
José Theotónio, Gestor