Acabámos de conhecer os resultados actuais do desemprego que, segundo o INE, atingiu os 14,0% no 4º trimestre de 2011, com 771 mil desempregados, o que representa mais 81 mil desempregados (+12%). Nunca a taxa de desemprego cresceu tanto de um trimestre para o outro e, pasme-se, o Governo do PSD/CDS assume que a tendência é para continuar a agravar-se. Por outro lado, o número de empregados diminuiu 2,4%, o que significa que há menos 118.300 empregos. Pelo que se vê, o Governo está a destruir os empregos e a economia real do País. Ora, estes assustadores resultados, associados aos indicados sobre o empobrecimento do País e dos cidadãos, demonstram que o Governo PSD/CDS está determinado em prosseguir a sua agenda ideológica da direita neoliberal, para satisfazer os interesses dos especuladores financeiros e das oligarquias capitalistas, em detrimento do trabalho. Ou seja, eles querem cortar os direitos sociais e laborais para voltar ao trabalho escravo e para limitar a liberdade e a capacidade reivindicativa das pessoas. No fundo, eles, tal como tenho vindo a alertar há muito tempo, querem desmantelar o Estado Social e fazer um ajuste de contas com as conquistas sociais e laborais do pós 25 Abril. E não venham com a falsidade de que isto está no memorando da Troika. Não! Não está nesse memorando o corte dos subsídios de Natal que nos furtaram em 2011; não está o corte de dois vencimentos dos trabalhadores da função pública, dos pensionistas e dos reformados. Para não falar nas medidas e reformas que, sendo algumas necessárias, vão além do suportável pelos cidadãos e pela nossa economia. Os cortes nas funções sociais do Estado levar-nos-ão a um retrocesso na qualidade dos serviços: na Saúde vamos recuar 7 anos nos níveis de investimento e na Educação 11 anos. Enfim, os dirigentes do PSD e do CDS mentiram aos eleitores, prometendo que não aumentavam os impostos e não iam cortar os vencimentos; que iam promover o emprego e o crescimento económico, mas estão a fazer o oposto. Este Governo do PSD/CDS está, com a sua overdose de austeridade, a "matar o doente da cura". Com esta trajectória de empobrecimento, está a aumentar o desemprego, as falências e a ruína da economia. Post-scriptum: Com o plano de resgate para a Madeira, como se antevê, teremos uma dupla overdose de austeridade. Vem aí um plano de horrores em que o PSD-M e o CDS-M têm, lá e cá, responsabilidades directas e indeclináveis.
Jacinto Serrão - Deputado PS-M na AR