Nas aulas que lecciono de Economia da Educação há uma parte do programa que é sobre o financiamento da educação. Nesse ponto os alunos devem reflectir porque é que quem não está a ter a educação está a pagar, através dos seus impostos, a educação deles. Muitas razões surgem nas reflexões dos alunos e eu costumo acrescentar que uma das razões é porque os alunos se irão tornar mais produtivos e sendo mais produtivos o "bolo" que haverá para distribuir no futuro será maior sendo mais fácil para a nossa geração receber as reformas. Este ano terei que mudar a minha justificação pois, se não conseguirmos inverter a tendência actual, existe uma grande probabilidade de os alunos, ou os melhores entre eles, irem trabalhar para o estrangeiro e, como tal, não irão estar em Portugal para ajudar a pagar as nossas reformas. Muitos dos que emigrarem irão estar bem, por isso se pensamos em termos de Produto Nacional até iremos ficar melhor como um todo, só que não haverá a solidariedade intergeracional e os mais velhos não poderão receber o que lhes foi prometido. Para inverter esta tendência temos que passar rapidamente para uma sociedade baseada no mérito em que os melhores não se vejam preteridos por colegas que o que têm a seu favor são as relações políticas e familiares ou mesmo de amizade. Urge termos uma comissão independente onde qualquer cidadão se possa queixar se se sentir injustiçado ou preterido em qualquer colocação ou avaliação pública. Essa comissão também faria uma avaliação aleatória das colocações mesmo não havendo queixas. Isto tudo feito com rapidez para ter alguma utilidade, como acontece, por exemplo, no Reino Unido (Office of the Commissioner of Public Appointments). Não vale a pena chorar sobre o leite derramado e, muito menos, não fazermos nada para que deixe de o ser … no caso dos jovens ainda é pior porque o que estamos a deixar derramar é a nata!

Pedro Telhado Pereira - Professor Catedrático UMa