E o Carnaval está aí, não sei se ruidoso ou passivo mas o barulho que vem pelo caminho é estrondoso. Mas que teatro extraordinário poderia nascer? Mas que sátiras rasgadas poderíamos inventar? Mas…mas realmente do que me apetece falar é sobre o que mais nos importa: os artistas de teatro; o nosso trabalho!

Construímos máscaras, encarnamos coisas, ideias, sentires, propostas e é por isso que neste preciso momento importa falar do Teatro que na Ilha acontece. Assim sendo, relembro que A Vampirilda acabou de estar em cena no mês passado enquanto que surgia A Levada dos Amores e, também Madeira MyDear na sua contínua carreira pelos palcos da ilha; Gente Séria & Outras Coboiadas em palco e simultaneamente A Fúria de Shakespeare, As Conversas da Maria Joana e Leandro e o Rei da Ilíria noutro, paralelamente enquanto se prepara O Soldado Shweik na Segunda Guerra Mundial e o Grupo de Teatro da PT escreve um novo texto para levar à cena. Já a Associação de Solidariedade Social dos Professores prepara Entremezes Cómicos e o Festival Amo-te Teatro mexe com os vários grupos de teatro que se apresentaram e continuam a se apresentar até 26 de Fevereiro, já se sentindo o respirar do Festival de Teatro Carlos Varela onde o Teatro Escolar ganha o seu peso. No ensino profissional do Teatro trabalha-se Os efeitos dos Raios Gama no Campo das Margaridas e Um Gosto de Mel, além de Miauaufpum a partir de Carlos Wallenstein e de Bernardo Santareno o António Marinheiro ou O Édipo de Alfama. E ainda tanto outro Teatro que eu ainda não sei que está a acontecer neste pequeno pedacinho de terra banhado de água por todos os lados.

O Sentir de todo este grande movimento que pulula no espaço regional faz-me pensar que, desde o mais amador ao mais profissional, do lúdico ao escolar, do social e do estudantil ao profissional, todos estes indivíduos, das mais variadas idades e dos mais diversos setores e interesses, labutam com o seu entusiasmo servindo uma arte tão prodigiosa como é a do teatro, no assombro que é este espaço em que vivemos.

Neste meu escrevinhar não tem lugar quaisquer questões sobre a qualidade ou não de cada um dos trabalhos, isolado ou em conjunto. A sabedoria e o tempo, entre tantas outras considerações di-lo-ão. O que importa, neste momento, é do quanto é necessário para que não morra uma arte tão fascinante como esta e que em tempo de crise não sirva como o bode expiatório para o sucesso de uns e a desgraça de outros.

Antes de qualquer outro aspeto a arte dos atores precisa da sua cara-metade – os espetadores – a união inseparável para a existência do Teatro. Sem este duo não há diálogo. Por esse motivo necessitamos de si leitor/espetador para que o nosso trabalho possa ser concluído, e na vossa prestação, juntos idealizarmos as próximas aventuras para seguirmos direitos ao alvo que é este nosso quotidiano.

Não basta querermos, termos ideias ou dispensarmos o nosso tempo ou quem sabe, a nossa vida, nós precisamos, também, da vossa presença para existirmos e é aí que observamos cada dia mais a vossa aproximação de forma localizada ou generalizada pelos vários trabalhos que os grupos têm vindo a apresentar. A vossa contribuição ao apoiar estes nossos projetos de Teatro é para todos nós muito grata.

Hoje importa expor a justa homenagem pela intensa azáfama teatral que faz mover e por vezes sobreviver tantos artistas no espaço regional.

Só precisamos saber se podemos continuar a contar com os variados apoios, necessários para os nossos trabalhos, e a chegada de mais reforços que venham tornar mais sólida a continuidade da existência teatral, de forma cada vez mais profissional, para os que fazem desta arte uma forma de continuar a História. É esta a nossa constante espera e que não queremos que seja à espera de um Godot, que nunca vem.

Eduardo Luíz - Actor