Numa semana em que o País político ganhou um novo argumento para a fuga a apertos inevitáveis e a confrontos incómodos, Jardim decidiu avançar destemido para o último combate. E a coragem é tanta que convoca autarcas para obrigatoriamente darem o corpo às balas nos adros das igrejas, que pede aos sócios para se amanharem com os dirigentes desportivos a quem acusa de cuspirem no prato onde comeram e até escreve a Angela, a Merkel, como se estivesse a produzir notícias não assinadas com publicação garantida no seu divã. O presidente que hipotecou a Autonomia e asfixiou com calotes a economia regional, manda distrair o povo carente e desempregado com 'farturas' carnavalescas. Faz passar a mensagem de que está imparável, à imagem do seu por vezes odiado Marítimo, indiferente aos poderosos do mundo, ao centralismo de Lisboa e às exigências internacionais. Antes que a máscara caia de uma vez por todas, Cavaco Silva deu-lhe mais uma vez de mão beijada uma saída, embora pela porta dos fundos, bem como a todos quantos anunciam mas não cumprem e prometem mas não fazem. Um e outros não terão escrúpulos em acenar com um qualquer "impedimento relacionado com a função", seja ela presidencial ou meramente decorativa, sempre que o estado de necessidade for susceptível de fomentar uns empurrões intimidatórios ou simples vaias. De nada vale fugir aos problemas, como de nada resolve ser arrogante perante quem se sente humilhado e vítima da incompetente gestão das prioridades. Contudo, a Madeira persiste em omitir, esconder, ser laxista e em não mudar de vida. Por exemplo, numa semana em que o País assistiu a uma condenação histórica por crimes ambientais cometidos por um empresário, por sinal, presidente de um clube de futebol, os madeirenses continuam sem saber se os negligentes do '20 de Fevereiro' serão ou não responsabilizados criminalmente, tal como todos quantos toleram a destruição do bem comum mais precioso e deixam que a natureza continue vulnerável. Ricardo Alves, Psiquiatra Na entrevista ao DIÁRIO deixou alertas oportunos para que a sociedade madeirense não se desequilibre mais do que já está. Importa de facto tratar dos mais fragilizados antes que choremos mais mortes surpreendentes. Carlos Pereira, Presidente do Marítimo Não se rever na ingratidão de Jardim é momento de viragem, embora seja fácil dar ar de corajoso quando a bola entra. Mas teve mérito de mostrar que os dirigentes desportivos não estão para servir eternamente de bandeja do governo. Luísa Pessanha, Directora Associação de Pobres Sempre sonhou com a criação de um coro constituído por utentes da instituição que dirige. E consguiu concretizar a máxima solidária onde tão importante como matar a fome é dar carinho, transmitir confiança e educar para a vida. João Machado, Director Assuntos Fiscais Os contribuintes honestos agradecem que a máquina fiscal seja eficaz no combate à evasão e à fraude. Todos ficam a ganhar com o reforço de fiscalização, desde que esta não seja uma arma política, nem escolha sempre os mesmos. Luís Amado, Economista Tem pela frente uma importante missão na liderança do banco com sede na Madeira. A experiência governativa, competência e ponderação serão factores decisivos. Suceder a Horácio Roque e a Marques dos Santos é obra.