Em Outubro de 2011, os eleitores madeirenses deram a vitória ao PSD. No entanto, por estranho que pareça, a maioria dos votantes optou pelos partidos da Oposição. Daqui resulta uma continha muito simples: apesar de ter a maioria absoluta na Assembleia regional, o PSD não representa eleitoralmente a maioria dos madeirenses. Mesmo assim, este PSD-Madeira tem a ousadia de falar de assuntos da governação em reuniões à porta fechada, apenas para os seus. É o presidente e alguns secretários regionais, de freguesia em freguesia, a anunciar as dificuldades que vão chegar a todos, mas com explicações pormenorizadas apenas para os militantes do PSD. A questão que se coloca aqui é muito simples: e os outros? Os que são apartidários ou militantes de PCP, BE, PAN, CDS, PTP, PS, MPT, PND, esses não são gente como os que são do PSD? Não têm os mesmos direitos e deveres? Não merecem ser esclarecidos sobre o que se está a passar nesta terra? Não deveriam ser também eles convidados para sessões de esclarecimento? A resposta ainda é mais simples: é claro que sim! São gente como os outros, pagam impostos como os outros ou fogem ao fisco como os outros. Acredito que entre os 'homens-bons' que há no PSD-Madeira - e há muitos, não duvido! - este descarado favorecimento seja um incómodo. Porque não é normal, é antidemocrático, é falsear as regras do jogo. Uma coisa é um partido reunir os seus para definir a estratégia a seguir - é lá entre eles, os que se identificam e dirigem tal partido. Outra coisa, bem distinta, é um partido chamar os seus para dizer como vai governar e de que forma podem os governados ser ajudados por esse governo. Isto é escandaloso! É usar a máquina do Estado a favor da máquina do partido. E é imoral. Seja no PSD ou noutro partido qualquer. Imaginem os senhores do PSD que isto um dia, talvez daqui a 50 anos, dá uma volta e que outro partido qualquer lhes fazia a mesma coisa. Ou, para sermos mais práticos, imaginem os dirigentes do PSD-M que o ministro Paulo Portas vem às sedes do CDS-Madeira, com o casaco de líder do CDS, dizer como podem os madeirenses concorrer a cargos diplomáticos, mas que apenas o explica aos seus militantes? Ou que a ministra Assunção Cristas vem cá explicar, apenas aos militantes do CDS, que devem os agricultores da Madeira, mas só os do CDS, fazer para receberem mais fundos europeus? Ou que o ministro Mota Soares vem cá, como dirigente do CDS, dizer aos militantes como devem fazer para prolongarem os subsídios de reinserção social ou de desemprego? Seria justo? Claro que não! O que se passa com estas sessões de esclarecimento, do governo ou do PSD, só para militantes do PSD é de uma desfaçatez sem limites. É a total falta de vergonha. É o desrespeito completo pela Assembleia regional, o local próprio onde os governantes deveriam prestar esclarecimentos não apenas aos seus, mas aos deputados de todos os partidos. Esta forma de fazer política parece normal mas não é. Ou não deveria ser. Mesmo que o Presidente da República olhe para o outro lado, mesmo que o Representante se finja de governador da ilha, mesmo que a Assembleia seja aquele triste espectáculo quase permanente, a verdade é que esta forma de governar não é normal. Porque não é aceitável que a maioria dos madeirenses fique de fora das explicações que o Governo vai dando apenas aos inscritos no seu partido. Dirão que dentro de dias haverá explicações para todos nos adros das igrejas. E alguém acredita que será dito em público o que agora é dito à porta fechada? Eu não!