No contexto atual em que nos encontramos, e no que ao Desporto diz respeito, muito tem sido opinado, imaginado e sentenciado… Como interveniente nesta área, pretendo aqui deixar três notas a meu ver pertinentes. Quem lida diariamente e diretamente com os protagonistas do fenómeno desportivo, tem sido confrontado com situações delicadas. No meio de tanta incerteza, incapacidade e insegurança é necessário destacar o papel dos dirigentes, dos treinadores e dos atletas. Os dirigentes - a maioria deles sem qualquer compensação financeira, porque são poucos os que têm virado as costas à luta - não abandonaram o barco perante as inúmeras adversidades e têm procurado encontrar soluções. Os técnicos e os atletas, que apesar dos obstáculos e dos sucessivos incumprimentos, mantêm uma postura de profissionalismo notável, assim como continuam a desempenhar o seu papel… A todos, um bem-haja. Em segundo lugar, queria lamentar a sensação que paira no ar, de que tudo o que foi feito e gasto no Desporto regional foi mal empregue. Lemos em várias publicações, vemos e ouvimos em programas televisivos, e até mesmo em conversas de café, um rol de críticas, muitas delas exageradas. Estou convicto de que muitas medidas de apoio ao Desporto regional foram bem aplicadas. Houve grandes conquistas em termos internacionais e nacionais, um retorno interessante para a Região, a envolvência da população num estilo de vida mais saudável e salutar e boas condições infraestruturais para a prática desportiva. Reconheço porém, principalmente neste último ponto, alguns investimentos excessivos. Por último, são necessárias alterações que visam uma maior sustentabilidade no desporto na Região. Não devemos recear o futuro, nem a mudança. Mudança essa que até peca por ser tardia. Apostas mais estratégicas, criteriosas e rigorosas. Talvez assim possamos ter na Região uma participação desportiva mais competitiva. Urgente é decidir e agir rapidamente!

Bernardo Vasconcelos, Professor de Ed. Física