A 14 de Abril de 1912 aconteceu um dos mais trágicos acidentes marítimos associado a navios de cruzeiro, precisamente com o transatlântico Titanic, que na sua viagem inaugural transportava 2,240 pessoas entre passageiros e tripulantes. Esta viagem, a primeira do navio veio a transformar-se fatal para muitos passageiros e o capitão do paquete (Edward Smith) já traçara e implementara uma nova rota, mais para sul dado o alerta recebido, via rádio, da possibilidade de existirem no seu percurso icebergs. No entanto a noite e as condições de fraca visibilidade eram escassas e a tecnologia desse navio, comparada com as tecnologias presentes, resumia-se aos vigias do mastro que tocavam as sinetas quando vislumbravam algo de anormal. O comandante inteirou-se da grave situação que envolvia o Titanic após a colisão com o iceberg e de imediato cumpriu com os procedimentos de emergência, inclusivamente a ordenação para a evacuação dos passageiros dando prioridades às crianças e às senhoras e até ao último minuto acompanhou o salvamento dos passageiros que viajavam sobre o seu comando. Passados quase cem anos sobre este trágico acidente e analisando o que sucedeu com o cruzeiro Costa Concórdia e segundo documento da juíza de acusação do comandante Francesco Schettino, este demonstrou uma indiscutível e evidente incompetência na conduta que assumiu ao demonstrar total desinteresse perante a gravidade que envolveu o paquete Costa Concórdia ao chocar com uma rocha próximo da ilha de Giglio, na costa italiana da Toscana. Só passados 40 minutos após a colisão o capitão mandou dar sinal de alarme e abandonou o salvamento dos passageiros que navegavam à sua responsabilidade esquivando-se do navio. Soube-se também que houve indicações para salvar um indeterminado número de passageiros de origem Russa, detentores de boas fortunas, e que provavelmente alguns tripulantes foram aliciados com significativas propostas de dinheiro para salvá-los . É suposto que o comandante no momento do embate do navio na rocha estivesse na ponte, acompanhado por uma jovem mulher, que o distraiu de exercer suas funções com rigor e competência. Passados cem anos conclui-se que a avançada tecnologia inserida no Costa Concórdia foi insuficiente para que uma pequena rocha terminasse com uma viagem de sonho de imensas pessoas, pessoas que confiam a sua vida ao dispor de Timoneiros minimamente responsáveis e competentes.
Luís Guilherme de Nóbrega, Professor