Nos últimos tempos chegam-nos ecos de sucesso de algumas iniciativas avulsas, mas muito inspiradoras, de empreendedores que ousaram lidar com a originalidade e com a genuinidade. Dos produtos e das terras, encobertos na poeira dos campos abandonados ou no bolor das casas fechadas, esquecidos nas aldeias, por detrás dos montes, na caminhada em direcção às cidades, em percursos apressados pelos caminhos fáceis do acesso à modernidade. As crises que dizimam as cidades, onde todos procuraram o seu ‘novo mundo’, estão a mandar de volta os que acreditaram na vida mais fácil ou, porventura, acreditaram que também poderiam ter a sua oportunidade. De regresso espantam-se com a originalidade e a genuinidade que ninguém lhes mostrara ou que os seus olhos não tinham visto ou ainda, que, inadvertidamente, não tinham entendido como potencial. São os exemplos de cada dia que nos recomendam aliar ao empreendedorismo alguma originalidade e genuinidade, coisas antigas que cativam neste mundo novo dominado pela robótica, pelas tecnologias de informação, pelos toques mágicos que abrem portas, movimentam máquinas ou controlam em tempo real o que quer que seja, não importa a distância ou o estado. Há dois mundos que se defrontam hoje entre a tradição e o estádio de uma contemporaneidade inesgotável. Ambos interessantes e cativantes que podem ser eficazes, em doses comedidas, na construção do edifício das nossas vidas. E essa moda, retomada do original e do genuíno, tem muito a ver connosco, com a vida dos que habitam terras pequenas e que têm por mister as promover no seio de outros que constituem os anónimos das grandes cidades, eventualmente de alma distante e pouco dados à contemplação. São esses, pouco moldados à genuinidade, mas predispostos a aceitá-la e vivê-la numa tal terra prometida, que constituem os nichos de mercado, os que aceitam a proposta de viver alguns dias entre a contemplação da bela paisagem, do bom serviço de acolhimento ou no desfrute de alguns prazeres que as cidades do seu trabalho e da sua reclusão diária não lhes permite. Para esses devemos levar-lhes as flores, as frutas e os vinhos, as sugestões de passeios em águas límpidas onde criaturas que dominam os mares passeiam a seu lado, ou da aventura da descoberta das entranhas de uma ilha verde, se porventura garantirmos exclusividade e condições de segurança. Os brasileiros poderão ser originais ou genuínos se venderem o seu Carnaval, as suas belas mulatas e a musicalidade do seu povo aos europeus. Nós temos de ser mais genuínos. Sem perder a alegria que, era esperado, o Carnaval deveria despertar, temos de nos promover sem esses adornos que não são nossos, nem nos trazem esperança. O modelo está gasto. Não tem tradição, nem é genuíno, não tem a nossa marca. Basta de carnavais.