Alguém dizia, há uns anos, que o turismo era uma indústria baseada na venda de sonhos. Mais tarde, foi-me dito que o que as pessoas procuravam era algo muito mais palpável: tratava-se - diziam - de vender experiências. Não vou contestar. Mas vou, de uma forma muito clara, destacar a importância de prometer apenas o que se pode cumprir. Ou, por outras palavras, de limitar-se a prometer o que de pode "entregar". Durante imensos anos a Madeira foi conhecida, e promovida, como a "pérola do Atlântico". Não sendo muito concreto, pelo menos chama a atenção de uma forma positiva. Mais tarde, a região foi promovida como permitindo "feel nature all around you". Concreto, palpável. Ultimamente vimos sendo promovidos com "Body. Mind. Madeira". Devo confessar que não compreendo. Qual é a ideia? Vender um spa? Concentremo-nos nos nossos mercados "naturais": um estudo recente da Comissão Europeia aponta quais os segmentos de mercado com mais dinheiro disponível: reformados e dinks (dual income, no kids). No que diz respeito aos reformados, temos anos de experiência a satisfazer este segmento de mercado, e fazemo-lo bem quando não damos tiros nos pés, como a promoção do all-inclusive, e a existência de time share "selvagem". No que diz respeito aos dinks, atraí-los passará pela promoção de eventos culturais de qualidade e pela promoção de factores que tornam a Madeira única, como as levadas e todo o tipo de actividade que dos distingam de outras regiões turísticas.
Roberto Loja