Personalidades bem próximas do Poder Regional, possuídas por uma legítima inquietação, afirmaram: " … é necessário um novo ciclo político na Madeira"! Fiquei à espera que de imediato, um relâmpago cruzasse os céus e um raio gerado no Chão da Lagoa, fulminasse quem tivera tal profética exaltação. Esperei de pé… mas nada aconteceu. Esperei sentado e… nada aconteceu! Achei muito estranho, pois todos nos lembramos, que quando alguém ousava balbuciar coisa semelhante, mesmo que fosse no recato do "balneário" partidário, logo o "azar dos Távoras" se abatia sobre ele! Mas a política regional, continua ainda a ser um desporto radical. Qualquer neurónio distraído que decida pensar sem consentimento prévio, logo corre na cidade que vai ser cortada mais uma cabeça. Qualquer companheiro" mais jeitoso que se ponha em bicos de pés à espreita de entrar para o clube restrito dos Delfins, logo corre o risco de lhe cortarem as pernas. Apesar destas bizarrias, o poder político ainda agrada a uma maioria de eleitores madeirenses, para quem cada inauguração é o progresso desejado e o paraíso prometido está na esquina da próxima inauguração. Com tanta inauguração, que ingratidão é esta que exige um novo ciclo político? A História explica! A 27 de Janeiro do séc. XXI, num fatídico dia de nevoeiro, banqueiros apoiados por piratas 'troikianos', a coberto do alarido de mais uma inauguração bem comida e bebida, invadiram a nossa ilha. Ungidos por um poder sobrenatural, vergaram o Poder da Região outrora hirto e firme que nem uma barra de ferro. Em poucas horas, fizeram o que a razão e a lei, em mais de trinta anos não conseguiram fazer! Com um só golpe de caneta, fecharam túneis, cortaram estradas, destruíram vigas de cimento, aumentaram ivas e combustíveis, cobraram taxas moderadoras, asfixiaram o jogo da bola, esventraram subsídios, rasgaram parcerias, secaram "negócios", destaparam buracos, vasculharam gavetas e o que foi mais grave… fizeram contas de somar e subtrair! Por momentos, a alma penada de Torquemada, pai da Inquisição, assombrou toda a ilha. Até a canhoneira colonial do Prof. Salazar, qual navio fantasma, foi vista de novo ao largo da baia de Machico. E na esquina do Apolo, pregado na parede, os 'troikianos' afixaram um edital onde o Poder da Região era condenado a DESINAUGURAR: 4.200 metros da quota 500 e os seus 7 túneis, 8 viadutos, 4 pontões, 12 ligações à rede viária, 5 rotundas, 3 passagens superiores, 1 inferior para peões, 4 passagens hidráulicas, 55 estruturas de contenção e 10 paragens de autocarro. Mais ainda, 6.000 metros da via expresso entre a Ribeira de S. Jorge e o Arco de S. Jorge e os 3 túneis e 3 rotundas. Mais 5.720 metros da ligação entre a Fajã da Ovelha e a Ponta do Pargo e 4 túneis. A extensa lista de 69 páginas, terminava com o campo de golfe da Ponta do Pargo e metade do estádio do Marítimo! Indiferente a este saque dos piratas 'troikianos', o Presidente de alguns portugueses fora visto, disfarçado de um pobre reformado, a caminho do Poço de Boliqueime para lá esconder as suas magras poupanças, que mão amiga do BPN colocara por engano, na sua caixa do correio. O primeiro-ministro, feito com os 'troikianos', também se ausentara de Lisboa e li na Internet que em Massamá, num modesto 3.º esq. oferecido pelo Dr. Ângelo Correia, preparava a pedido da Sr.ª Merkel, a Grande Reforma da Páscoa: "A ceia da quinta-feira Santa, passa a um lanche ajantarado no sábado e terá que terminar antes das 23 horas. O Domingo de Páscoa passa a ser o dia do julgamento, paixão, crucificação, morte, sepultura e ressurreição". "É assim… custe o que custar"!
Manuel Brito - Médico