A Madeira atravessa uma das suas piores fases também no que à notoriedade diz respeito. Muitos foram os acontecimentos, as notícias, os factos, as atitudes e as reações que levaram a esta situação. Uma enorme campanha política, económica, jornalística e de tanta outra ordem contribuíram para esta lamentável circunstância, ... sem significar que boa parte da culpa não seja nossa. Impõe-se inverter esta tendência. A bem da Madeira, da sua população, da economia e mesma da política regional, não que isto signifique uma qualquer propaganda de "encomenda". É muito mais que isso, é muito mais profundo. Implica, isso sim, uma grande mudança de atitude, a assunção de uma nova visão para esta terra e a clarificação de uma mensagem que seja adequada e bem aceite. Neste marasmo de más notícias, da dúvida "Europeia", da decadência de países, da crise nacional e da critica situação regional, uma boa notícia constitui, logo à partida, um grande contributo. O arquiteto madeirense Paulo David fez história ao ser o 11º galardoado com a Medalha Alvar Aalto. Tão importante como este facto e esta boa notícia é a razão que fundamenta a decisão do júri. Nas suas palavras, refere, entre outros aspectos: "o trabalho de Paulo David é localmente enraizado mas, ao mesmo tempo, universal"... "busca uma arquitetura adequada, relevante e autêntica que se funde com a paisagem"... "responde à história, tempo, lugar, cultura e tecnologia"... "respeita as condições locais"... "consegue formar uma nova camada histórica da paisagem secular da Madeira". Trata-se de ilustre madeirense que, num momento muito especial, coloca a Madeira no centro do mundo, pelas melhores razões, que empresta o seu trabalho para dignificar a nossa imagem e a quem é reconhecido que a arquitetura "pode ser clama, serena, lírica, poderosa e não-espetáculo" e com isto deixa uma poderosa mensagem que vai para além da sua especialidade e que é reconhecida, internacionalmente, pelos profissionais de outras áreas, como a receita ideal para o desenvolvimento turístico da Madeira. Complementarmente, este prémio resulta na obrigação da Madeira refletir e encontrar formas de potenciar a sua existência. Basta refletir sobre quantos outros destinos desejariam esta "boa notícia" e a utilizariam como uma feroz vantagem competitiva. Importa, ainda, reforçar que se encontrou no trabalho de Paulo David, acima de tudo, uma atitude de respeito pela Madeira e que é, exatamente, esse facto que lhe valeu tamanho reconhecimento. Uma importante lição!

Eduardo Jesus, Economista