Gaudêncio Figueira A carta da autoria de José Severino, incluída nesta secção, na 6ª feira 10/02/12 incomoda. Ser-se doente oncológico não é pêra doce. Não devemos, quando a doença nos toca, ser apaparicados, mas temos direito ao respeito dos nossos concidadãos pela situação vivida. Vermo-nos impossibilitados de prosseguir tratamentos recomendados apenas porque, irresponsavelmente, alguém se esqueceu de que devia acautelar o dinheiro necessário para os medicamentos adequados é uma indignidade. Torna-se ainda mais reprovável quando, com a maior tranquilidade, se afirma que a única solução é aguardar pelo dinheiro. HUMANIDADE procura-se, pelo menos, na forma de comunicar. Deveriam ter ocorrido demissões. Única maneira, face às circunstâncias, de se mostrar ter Coração e respeito pelo sofrimento alheio. Na ausência de demissões, formulo um voto. Espero que pelo andar da carruagem não estejam a germinar corações tão duros, quanto os daqueles que, sendo guardas nos campos de concentração, nunca se aperceberam que ali se queimavam vivos, doentes psíquicos, ciganos, judeus, etc. Não havia, diziam, dinheiro para mantê-los vivos. Cumpriam ordens, diriam mais tarde em Nuremberga os guardas nazis. A todos quantos têm razões de sobra para se sentirem envergonhados por este triste episódio espero que, pelo menos, lhes doa a consciência.