Prometo que não vou ser ‘piegas’ caro leitor. E juro que não é pelo facto de a chanceler alemã, Angela Merkel, ter, de forma intrometida, colocado a Madeira no mapa dos exemplos negativos do mau uso de fundos comunitários, que volto aos assunto da colossal dívida madeirense.
O assunto já enjoa, mas nas não se esgota. O que é aborrecido não é que o Governo Regional, num exercício de total arrogância, não reconheça os erros. O que me chateia não é que se continue a argumentar que a dívida está ao serviço dos madeirenses em obra efectuada, como se tudo tivesse sido bem feito. Por mim, a Quinta Vigia & Associados pode continuar a gritar aos quatro ventos que isto é como no orçamento familiar em que as pessoas contraem dívida para adquirir uma casa ou um carro. De facto é mais ou menos isso, com uma nuance. É como se um cidadão se endividasse para comprar um carro topo de gama e depois não tivesse dinheiro para pagar o combustível ou optasse por viver no condomínio de luxo, mesmo que isso implicasse não ter o que comer.
Mas deixando as ‘pieguices’, porque a bem dizer toda a gente sabe que os madeirenses vão pagar a dívida de quem tantas vezes mal os governou: A verdadeira sem vergonhice é a forma como o Governo Regional se esqueceu dos madeirenses na elaboração do plano de ajustamento financeiro.
Porque este resgate tem um rosto. E não é o de Vítor Gaspar, nem o de Pedro Passos Coelho. Foi Alberto João Jardim quem decidiu manter o inenarrável jackpot parlamentar, que dá milhões aos partidos. É o presidente do Governo Regional que insiste em manter o inefável Jornal da Madeira. Em ambos os casos para se conseguir manter agarrado a um poder que lhe foi confiado anos a fio, mas que não soube respeitar.
E não entro na demagogia de acreditar que estas medidas seriam suficientes para evitar a calamitosa subida de impostos na Região. Não era, mas era uma forma de dar o exemplo. Há muitas maneiras de pedir desculpa. Jardim não conhece nenhuma.