Aproxima-se mais uma quadra natalícia. Como é já tradição, uma época de forte apelo ao consumismo. No entanto, este natal apresenta um desafio adicional: fazer face ao apelo consumista com rendimentos muito reduzidos ou, em alguns casos, inexistentes. Como em todos os natais, somos pressionados por diversas vias. Quer seja pelos filhos que querem o jogo da moda para a playstation, pela esposa que passou os últimos meses a dar dicas subtis ou, até mesmo, pelo "amigo secreto" que nos arranjaram lá no trabalho. Ao contrário dos anos anteriores em que, com alguma "ginástica", se conseguia responder às solicitações, este ano facilmente percebemos que a nossa carteira perdeu a elasticidade que tinha. Perante a actual conjuntura, em que os agregados familiares estão inseridos caracterizada pela existência de casos de desemprego, salários em atraso e muita apreensão em relação ao que ainda aí vem, facilmente percebemos que o contexto não permite gastos por impulso. Deste modo, e apesar dos apelos natalícios por parte das organizações (em alguns casos parece que o natal já começou há dois meses atrás), que também lutam pela sua sobrevivência, tentando aproveitar esta quadra para recuperar a facturação que têm vindo a perder ao longo do ano, recomenda-se, do ponto de vista do consumidor, que este seja prudente e que evite gastos fúteis e desnecessários. Em contraponto com outros anos, em que muitas vezes cedemos ao consumismo, este ano o contexto é propício para que se voltem a recuperar os valores natalícios, baseados na partilha e no convívio entre as famílias. Sugere-se assim que se troquem as transacções comerciais habituais, pelas transacções dos verdadeiros valores natalícios, que apresentam a mais-valia de, tanto quanto se sabe à data em que escrevo este artigo, não serem tributados pelo estado.

Pedro Nunes, Economista