É impossível ficar indiferente quando nos introduzimos numa sala imponente que rememora, embriagando, através de pequenos quadrados, memórias de outros tempos.Foi assim a exposição fotográfica com a assinatura de Diana Pimentel, no Teatro Baltazar Dias. Como que numa sequência irónica e melodiosa, quase que cinematográfica, as paredes acolhem fragmentos instantâneos retirados de uma qualquer caixa, ou 'cirurgicamente' de qualquer cabeça: "OUT OF THE BOX". Memórias visuais e musicais que se miscigenam e criam cenas de um quotidiano banal e que traduzem e dulcificam tempos de outrora: trata-se de uma incursão pelo passado e pelo atual, em jeito de epifania. Pequenos detalhes da natureza, ruínas, fugas, pequenas narrativas entrançadas, paisagens, viagens, brinquedos, avisos: imagens que sugerem palavras e cenas aos olhos.Tudo "OUT OF THE BOX" como matrioskasque vão de pequenas lembranças às gigantescas memórias. Mise-en-abymessucessivas de cenas memorizadas ou, quem sabe, se inconscientemente, de pequenos quadros dispostos na parede. Às fotos associam-se lugares e lugares a palavras: redescobertas. Contemplamos, introspetivamente, paisagens. Embalamo-nos em horizontes e perspetivasde pequenos fragmentos de memória instantâneos. Tudo se assemelha a um puzzle, um tetris ou uma pauta musical em que entram cenas cinematográficas da memória. Fortemente visual, no entanto precário, frágil, efémero, evolutivo: sensível à passagem do tempo, como as pessoas.
Fernanda Castro - Colaboradora da AAUMa