A crise económica à escala global, derivada, por um lado, de uma conjuntura resultante do falhanço do modelo de gestão e por outro, mais estrutural, da constatação da insustentabilidade sócio-económica do modo como temos gerido o planeta, fez com que na agenda de 2012, o ambiente deixasse de ser visto como o sector para o qual se olha quando tudo o resto está resolvido e se apreste para ser a contribuição para que se possa resolver alguma coisa. Da agenda internacional, o Rio +20 e, nestes últimos dias, Doha, bem como a preparação do 7º programa de Ambiente da União Europeia e mesmo o próximo quadro comunitário 2013-2020, todos estes instrumentos de política e gestão global e regional assentam na necessidade imperiosa de mudança de paradigma, rumo a uma economia verde, entendendo-se esta como uma visão e prática integrada que contempla a sustentabilidade dos sistemas ambientais, económicos e sociais. Não só é possível como é o único caminho viável, disseram os principais responsáveis pela indústria (não os governos), que assumiram compromissos formais no Rio +20. De Doha chegam também notícias de demonstrações cabais quanto à capacidade tecnológica de fazer mais e melhor, em termos de eficiência, gestão optimizada de recursos e criação de empregos, justos e duradouros. A estratégia 2020 resume o compromisso Europeu relativamente à mudança necessária e, consequentemente, o seu 7º Programa de Ambiente vai derramar sobre as diferentes áreas de governação, tradicionalmente resistentes a uma visão assenta na consideração da sustentabilidade. Não admira pois que o Produto Interno Bruto (PIB) se apreste para ser aquilo que simplesmente é: uma medida linear relativa a trocas económicas e não um indicador completo de avaliação do crescimento. O PIB, está condenado enquanto fim em si mesmo, passando a ser aquilo que pode ser, um instrumento mais e não o único instrumento. Até 2015, cada país terá que preparar e aprovar os respectivos objectivos de desenvolvimento sustentável, que subsituem e acabam com a exclusividade dos Objectivos do Milénio. Isto porque os problemas da fome, pobreza, educação, ambiente, saúde, água, alterações climáticas, segurança, e afins, não são mais, problemas exclusivos do terceiro mundo. São questões globais que nos tocam directa e quotidianamente, num planeta cada vez mais pequeno e interdependente. A agenda mudou e, mais do que passar a limpo e ir tomando nota, a nova agenda requer participação, envolvimento e compromisso, que, naturalmente, se for para ser levado a sério, não pode ser assumido à distância. Se queremos continuar a existir, a progredir e a fazer parte do processo, não podemos continuar passivos, reactivos e distantes, como se a agenda fosse dos outros e nada nos diga em termos do que fazemos ou devíamos fazer. Não serve de desculpa a pequenez, a distância, a orografia ou mesmo a conjuntura. Ler e fazer, discutir, propor, enfim, trabalhar, está ao alcance de todos e é, em particular uma responsabilidade dos que nada dizem sobre nada. É tempo de olhar para o que se passa, dizer alguma coisa, fazer e participar, ou, ao menos avaliar o interesse das oportunidades, nem que seja de aprender. Ficar por aqui, olhando, lamentando, pedindo, exigindo que nos seja dado aquilo que podemos por nós mesmos fazer, sem fazermos a parte que nos cabe, é ficar para trás. E não é uma questão académica ou filosófica, trata-se da economia, da competitividade e do direito. É preciso acompanhar a agenda e, mais que isso, ter agenda, influenciá-la e antecipá-la. É lamentável que, 2012 não tenha tido nesta região, uma palavra sobre o Rio+20 ou sobre Doha, ou sobre o 7º Programa Quadro do Ambiente. Venha 2013, com nova agenda.

António Domingos Abreu