Pedro Melvill de Araújo, Comissão Organizadora do RVM Muito se vai escrever, dizer, argumentar, maldizer e algum bem-dizer nos próximos tempos acerca do Rali Vinho Madeira e da sua "saída" do Campeonato da Europa de Ralis. Vamos ouvir dizer que o Paulo isto, o Pedro aquilo (somos, feliz ou infelizmente os rostos mais visíveis da Comissão Organizadora), o Governo assado, o Governo cozido, etc., etc., etc., que deveríamos ter actuado de uma forma diferente, que "se fosse eu, a coisa teria sido feita de outra maneira", enfim, um rol de argumentos tão válidos como a imaginação de quem os congemina. Na realidade, temos culpa por esta história ter tido este fim, pelo menos no que se refere ao Campeonato da Europa de Ralis de 2013. Temos a culpa de acreditarmos que uma Federação Internacional de um Desporto encarasse o Desporto como tal. Temos a culpa de acreditarmos que a prática desportiva e o fair-play seriam mais importantes que o eventual mercado económico que podem gerar.

Temos a culpa de acreditar que a verdade desportiva se pode sobrepor, numa manifestação desportiva, aos interesses económicos que podem estar correlacionados. Enfim, temos a culpa de encarar o desporto como uma actividade lúdica, mesmo que à sua volta se movimentem somas astronómicas de dinheiro nem sempre fácil de explicar.

E porque gostamos das coisas bem explicadas, propositadamente elas não nos foram explicadas por quem tinha o dever de as explicar. Refiro-me concretamente aos responsáveis da Federação Internacional do Automóvel, que nas reuniões tidas com todos os organizadores dos Ralis do ERC disseram uma coisa e, entre muros fizeram uma coisa completamente diferente, penalizando todos os organizadores que não estavam nas "boas graças" de alguns elementos da entidade a quem a FIA determinou que seria o promotor do ERC a partir de 2013, e por um período de 10 anos, a empresa Eurosport Events Limited (EEL). Poderíamos ter feito coisas de uma maneira diferente? Acredito que sim! Mas também tenho a convicção de que não, quando o negócio puro e duro (e é disto que se trata, digam os mais críticos o que disserem) se sobrepõe aos interesses desportivos. O Rali Vinho Madeira várias vezes foi inovador em alguns capítulos organizativos, nos últimos trinta e alguns anos esteve sempre no top 5 dos Ralis do ERC e, numa altura em que estava decidido que as subidas e descidas do Campeonato da Europa, de e para as European Cups, seriam baseadas em critérios desportivos bem definidos, eis que a FIA muda tudo e diz que o critério é puramente a capacidade financeira. Mas não explicou o que vai fazer com os relatórios dos observadores que nomeia para cada prova, se continuam a existir, se a segurança é critério, se a capacidade organizativa é critério, se a qualidade desportiva é critério ou se o critério é outro, leia-se financeiro. E não podemos esquecer que, com a velocidade com que as mudanças na economia se têm feito sentir, quem hoje tem capacidade financeira amanhã pode não a ter, e vice-versa. Por isso não sei se poderíamos ter feito coisas de uma maneira diferente e, se o tivéssemos feito, o resultado seria diferente. E, contrariamente ao que já vi escrito, o Rali não foi "chutado" para fora da Europa, pois mantém-se a European Cup, onde vão estar os Ralis que juntamente com o nosso foram "chutados" para fora do European Championship patrocinado pela Eurosport, Taça essa, que vai ter como critérios os desportivos, que vão regular as diversas organizações por essa Europa fora. Vamos manter viva a chama do Rali Vinho Madeira, sem medo dos obstáculos que por aí venham, com fair-play e desportivismo.