Mário Mascarenhas Alencastre Era, uma vez um galinheiro, algures, isolado, na imensidão, do mar…! Havia, lá, muitas, e, muitas, galinhas. Um só galo palheiro. Vaidoso, presumido, imbuído, de delírios, do Poder; de visões, de Grandezas; sentia-se, Superior. Do alto do poleiro, controlava, todos, sabia de, tudo… A "dedo" escolhera, as suas favoritas, galinhas-marrecas. Para elas, não podia haver, galo como ele; todo o tempo, em estridentes cacarejos exaltando, êxitos, virtudes, sucessos, do galo palheiro - grande líder! Eram privilegiadas, mais, melhor ração, não ponham ovos, utilizavam, o poleiro do galo, "vigiavam", as galinhas-pata- rapadas, obrigadas, à produção, diária, de ovos. Estas, discriminadas, obedeciam, receosas das represálias…! Decorria, assim, com, calma, disciplina, obediência, a vida, no galinheiro, do Super - Galo. Porém, um dia de terras além-mar, uma tempestade-furacão, "abalou" todo o galinheiro…! Instalou-se, a confusão, o caos, com aves de arribação, patos bravos, cegonhas, e, outras, acolhendo-se, ao galinheiro, aproveitando, a intempérie, devastadora. Assim… Muitas, a comer, poucas, pondo ovos, a ração, escasseando… A insatisfação, em crescendo! E, de repente… a revolta, das galinhas-pata-rapadas! O galo, já, desconfiado, medroso, não descia, do poleiro. Buscou, esconder-se com algumas, galinhas-marrecas… Apanhado, por bicadas, furiosas, crista arrancada, todo depenado; as galinhas-marrecas, muito, maltratadas…! Aves, de arribação, perante tanta fúria, abandonaram, o galinheiro, ficando, as galinhas-pata-rapadas, livres, de escolher, seus, destinos, suas vidas. A liberdade! Diz, a lenda, que o galo, sem crista, todo depenado, está num museu em Bruxelas, embalsamado! Relíquia, catalogada: Espécimen-Rarus! Único!