Depois de passar o meu primeiro fim de ano na Madeira e já lá vão muitos anos, fiquei "dependente" desses dias mágicos e desde logo ficou registado em acta solene, que o Natal era em Coimbra com a minha Família de lá, e o fim de ano era aqui na Madeira, com a Família de cá. Esta nova Família Madeirense, feita de bons amigos, foi esbatendo ao longo do tempo esta minha condição de "continental", consolou as minhas saudades de Coimbra, preencheu os frios espaços vazios e com ternura discreta e suave, iluminou os meus dias mais cinzentos. Esta nova Família Madeirense, acolheu-me em sua casa, na sua intimidade, com uma cumplicidade que nunca exigiu a partilha das mesmas ideias ou a defesa das mesmas convicções. E quando hoje à noite o fogo iluminar a mais linda baía do mundo e trouxer para junto de mim os meus melhores amigos, lá estarei eu, na janela gótica do António Trindade ou no terraço luminoso da Cilita Magro, a dar as boas vindas ao novo ano. Mas o facto de esta minha crónica sair a 31 de Dezembro, traçou o seu destino e obrigou-me ao clássico balanço do ano 2012. À escala mundial, o agravamento da crise económica e financeira da Comunidade Europeia marcou para mim o ano que agora termina. Pressente-se a desagregação de um projecto, anuncia-se o colapso dum modelo de protecção social e paira a ameaça de "suspender" a Democracia. Como consequência dramática de uma politica europeia errada, há milhões de pessoas a sofrer. Se eu fosse funcionário da troika, membro do governo do Pedro e da Laura, banqueiro poderoso ou um alemão arrogante, não dormiria com a consciência tranquila e pelo sim pelo não, trancava a porta. Ainda olhando este mundo à beira da globalização, escolhi como personalidade do ano, Malala Yousufzai, jovem de 14 anos, barbaramente baleada só por defender o direito de acesso das mulheres à educação. Mas cuidado, pois aqui, no nosso mundo "civilizado ocidental", também há jovens forçados a abandonar a escola, pois as suas famílias foram "assaltadas" por gente perigosa do governo do Pedro e da Laura. Malala foi vítima de um fundamentalismo religioso, os nossos jovens são vítimas do fundamentalismo financeiro. Que venha o diabo e escolha! Em Portugal, um tsunami de mediocridade e de um pessimismo anestesiante varreu 2012 e apenas deixou de pé a manifestação de 15 de Setembro. Muitos acreditaram então que a incompetência, a mentira e a corrupção tinham os dias contados. Mas não, apenas um ligeiro susto terá arrepiado a espinha curvada do governo do Pedro e da Laura, ao verem este País humilhado a reagir. Quanto a uma personalidade de referência nacional, escolhi Rui Reis, jovem de 45 anos da Universidade do Minho e que foi distinguido pela European Reserch Council com um premio de 2 milhões e 300 mil Euros. Felizmente que contra a vontade do governo do Pedro e da Laura, este português ainda não emigrou! Já em relação a personagens sinistras, elas são muitas e venha o diabo e escolha! Desde do trio - Passos, Gaspar e Relvas - até ao Presidente republicano que embora habitando há vários anos num Palácio Real, nunca saiu do Poço Boliqueime, escuro, frio e bem fundo! E na Madeira? Incontornável é a figura de Miguel Albuquerque como a personalidade do ano. O seu protagonismo corajoso na cena politica regional abriu definitivamente no PSD-M um novo ciclo politico mais democrático e competente. Toda uma sociedade que há mais de quarenta anos espera por um debate politico civilizado, educado e que respeite o direito à diferença, seguirá com uma espectativa "armada" os tempos difíceis que o esperam. Não serei eu a lembrar os momentos tristes que a Madeira viveu em 2012. Ninguém tem o direito de ensombrar este dia de festa. Que o verde cubra de novo as nossas serras calcinadas, o mosquito se vá embora, e o desemprego e a pobreza sejam os nossos inimigos que temos de derrotar … são os meus votos sinceros para 2013.

Manuel Veloso de Brito - Médico