A. C. Aquilo que eu presenciei neste sábado no Cemitério de São Gonçalo deixou-me deveras envergonhado e também com alguma raiva. Daí este meu reparo público, através das Cartas do Leitor do DN a ver se algum responsável se sensibiliza e, sobretudo, se tem coragem e a responsabilidade de "por ordem" naquilo. Normalmente, quando nos deslocamos a um cemitério, o motivo já de si mesmo triste atendendo às circunstâncias que nos levam até lá. Mas tudo fica muito pior, como no último sábado e sabe-se lá quantas vezes a cena se repete, quando não há ninguém para fechar o caixão da pessoa de quem nos viemos despedir. Aquilo que eu e as outras pessoas vimos foi demasiado degradante. As flores oferecidas com sentir e carinho foram simplesmente atiradas para debaixo da carrinha da funerária, a algazarra daqueles funcionários, tudo no maior desrespeito. Pelo que percebi, à posteriori, quando os funerais não têm a cobertura da Segurança Social, estas coisas acontecem. Se não há gorjeta até o padre assume uma postura diferente. Vergonhoso, simplesmente. Porque o funeral deixou de ser negócio, não há profissionalismo, não há respeito. No sábado não havia funcionários para cumprirem o mínimo de tarefas, como fechar respeitosamente o caixão. Creio que tiveram de chamar alguns funcionários de outro cemitério do Funchal, para concluir os trabalhos. Chegaram já um pouco 'contentes' e pouco adequados ao trabalho que, penso, devem pagar-lhes para exercer. Porque a funerária nada queria com aquilo, porque a Segurança Social não estava no esquema. Aquilo que me pergunto é: não há ninguém responsável nos cemitérios? Quantas vezes isto se repete? Tudo por causa da ausência de uma maldita gorjeta? Tenham vergonha na cara!