O país e a Madeira estão mais pobres. As pessoas estão mais pobres. Naturalmente que o futebol português também está mais pobre. À excepção do Benfica e do FC Porto, que parecem viver em outro país, todos os clubes atravessam dificuldades inúmeras de consequências imprevisíveis, muitos deles à beira da insolvência. Naturalmente que os dois principais clubes madeirenses também estão mais pobres, apenas para me referir ao futebol profissional, nomeadamente pelo facto de já não poderem usufruir, como antes, da generosa comparticipação financeira do governo. Pelo menos nos moldes anteriores. Aliás, parece-nos que foi o Marítimo quem melhor percebeu e absorveu as dificuldades que hoje são inerentes a toda a sociedade madeirense. O Nacional tem tido mais dificuldades em perceber que o tempo das vacas gordas já era. Seja como for, para um e para outro nada será como dantes. E, fundamentalmente os adeptos das duas colectividades terão de habituar-se à ideia que, paulatinamente, Marítimo e Nacional não poderão manter as ambições que sempre os nortearam, isto é, a preservação de equipas competitivas e lutando permanentemente por um lugar na Europa. Por agora, para além do que o mercado de Inverno pode determinar (uma já foi ao mercado, a outra diz que não vai…), as duas equipas estão em condições de lutar ainda por uma presença na Liga Europa, até porque a Liga portuguesa (pese embora as duas boas revelações chamadas Rio Ave e Paços de Ferreira) está mais equilibrada por baixo. Mas, o final desta temporada será determinante. O Marítimo não deverá manter uma parte significativa dos seus jogadores em final de contrato, poderá (deverá!) vender um ou mais activos, o mesmo se aplicando, julgo eu, ao Nacional. A partir daqui resta a grande incógnita. O que acontecerá depois? O futuro passará por um melhor aproveitamento da formação e por quem estiver melhor preparado neste âmbito. E, ainda, por quem tiver uma melhor base de sustentação, também social. A não ser que tudo se altere neste país e, por inerência, na região. Acredita o leitor? Se calhar toda esta crónica está em contraciclo, quando o Nacional, alegadamente através de um investidor externo, contrata um jovem internacional egípcio e, ao invés, o Marítimo diz não ter dinheiro para colmatar uma brecha de grandes proporções, ou seja, o lugar de ponta de lança. Aproveito a ocasião para desejar a todos quantos se digam ler estas linhas, para desejar um ano de 2013 o melhor possível.
Emanuel Rosa, Repórter