"O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são." A primeira frase da obra "Verdade" do sofista grego, Protágoras (Abdera, 480 a.C. - Sicília, 410 a.C.), centra o discurso no indíviduo, na sua vontade, na sua forma de sentir, de pensar, de desejar, de amar, de sofrer, de ver o mundo e o que o rodeia, de se relacionar com o próximo, de emitir juízos de valor, de não permitir verdades absolutas. Cada Homem é um mundo complexo e maravilhoso em permanente devir, numa busca incessante pelo bem, pela felicidade, pela sua verdade. A verdade não pode ser imposta por alguns contra a vontade do todo, porque aí temos o que acontece nos nossos dias em que alguns, poucos, utilizam a "sua medida" e a sua vontade contra o resto dos homens e até de um povo. São uns homens que, dominando as leis e o poder, esses sim, são a "medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são". Este ano de 2012 que ora está a findar mostrou-nos que nós, Homens, Humanidade, não somos mais medida de coisa alguma, apenas da nossa dor, da nossa fome, da nossa doença, do nosso desemprego, das nossas dívidas, infelizmente. As coisas, essas: o Euro, o défice, os mercados e todas as grandes instituições internacionais e governos por este mundo fora passaram a ser as medidas que regem e governam o nosso dia a dia…O que nos salva, ainda, é a Esperança e o alento que não seja o homem a medida de todas as coisas, mas que ainda reste uma centelha de Humanidade em todos nós…Que 2013 seja melhor do que 2012!
Raquel Fraga, Historiadora de Arte