Resistindo à tentação de evocar o que aconteceu neste ano que está a chegar ao fim, opto por escrever sobre o que não aconteceu. Contrariando as profecias, afinal o mundo não acabou e também eu ainda por cá vou andando e, com gosto, continuo a escrever neste espaço, com as minhas desculpas a uns quantos leitores que, por defeito ou por feitio, sentem algum enfado, em relação aos meus escritos, quiçá porque estes, ainda que reportando-se a situações ou factos bem à vista de todos, a sua simples citação ou registo de certas verdades, acaba por causar um certo incómodo. Nesta transição para um Novo Ano, resisto também, aos apelos à "mudança" que tarda e faz falta, tema que, durante 2012, esteve presente na maioria das considerações que entendi dever fazer, sendo claros os sinais de, finalmente, estar a chegar. Porque o mundo, felizmente, não acabou e a Madeira continua, é como tal importante cuidar da recepção que lhe é devida, a começar pela atenção que deve merecer a reorganização da sala de entrada de quantos nos visitam, preocupação que a todos diz respeito e, para a qual, ao longo destes mais de 10 anos de colaboração com o Diário, esteve presente nos meus escritos. Nestes tempos em que, por força das leis da natureza e de alguma incúria dos poderes públicos, é cada vez mais premente, completar a obra de reconversão de toda a orla marítima desde a Pontinha até à Praça da Autonomia, donde deve ser banida toda e qualquer instalação que possa alterar a harmonia e a dignidade que os Madeirenses desejam para aquela zona. É certo que algo foi já realizado, mercê da obra de reconstrução da velha estrada da Pontinha, integrando a agora denominada Praça do Mar, dominada pela construção de um edifício que não mereceria reparo, não fôra a cirunstância de há dois anos, por razões de falta de planeamento ou de outra natureza, aguardar ocupação/utilização, sendo já vizíveis alguns sinais de degradação, numa zona por onde se passeiam muitos dos turistas que visitam a Região, nomeadamente os que desembarcam na Pontinha e a pé se deslocam para o centro do Funchal, comprometendo a tão ambicionada dignidade. Não menos comprometedora é a situação da zona mais nobre, dominada pelo Palácio de São Lourenço e onde se situa o cais de entrada da cidade, na qual, afectada que foi pelo temporal de Fevereiro de 2010, decorrem obras que deveriam merecer melhor atenção e informação dos poderes públicos. Acresce a agravante de ali continuarem a existir os "estabelecimentos de restauração, de gosto e de qualidade mais que duvidosos que se não enquadram e compromete aquela mesma dignidade", não obstante segundo foi noticiado, ter sido decidida a sua remoção com recusa das licenças de funcionamento das mesmas instalações, incluindo a do antigo "Barco dos Beatles", em vias de degradação. Sem me alongar, há que fazer por que em 2013 aconteça a ambicionada reconversão da "sala de entrada" da Região - agora que o mundo afinal não acabou. [por decisão do autor, este texto não respeita as normas do Acordo Ortográfico]

Francisco Leite Monteiro