J. Edgar Marques Da Silva Numa conversa de amigos, discutíamos o facto, de cada vez mais, se olhar para a pessoa, e a considerar pelo mérito, mais do que pela efectiva militância partidária. Realmente cada vez pesa menos, nas escolhas dos candidatos a cargos políticos; o factor de conexão ou conotação política, na decisão de se votar, "esquerda ou direita", se nos centramos na pessoa e no mérito, reconhecemos o seu trabalho em pró da comunidade, entregando-lhe uma prova de confiança através do voto, ao homem e não ao militante. É natural, entre pessoas civilizadas, mesmo com ideais políticos opostos, assumir comportamentos cavalheirismo político, inclusive de concordância, em muitos aspectos, em que a centralidade e a importância das soluções, são cruciais ao bom funcionamento da comunidade, em torno de projectos de cidadania, em que interessa assegurar-se a equidade e o equilíbrio entre direitos e deveres, independentemente do estrato social e estatuto sócio económico. Não me faz confusão alguma, que numa sociedade democrática e aberta à discussão, na procura de consensos, o equilíbrio seja encontrado entre opostos, que naturalmente encontram pontos de concordância, se nos centramos em procurar implementar políticas, que beneficiam todos os cidadãos sem excepção: é natural concordar muitas vezes com amigos claramente de opções e ideologia sócio política antagónica; muitas vezes conversamos com amigos, que defendem o mesmo clube e a mesma associação, mas em termos políticos colocam-se em campos opostos, mas isso não os impede de concordar com determinadas opções e soluções de cariz político, se as mesmas beneficiem claramente o seu clube ou a sua associação; aqui torna-se mais fácil decidir votar por mérito, que por militância. Falta na política esta capacidade de compreensão em torno de se assegurar o bem comum, em colocar acima de tudo, a comunidade e o bem-estar dos cidadãos; por de parte quezílias pueris de políticos do "pré-escolar", numa democracia que já passou da puberdade, mas que teima em continuar a ser uma criança rebelde e terrível; é por isso que não compreendo, como se pode ameaçar um militante de expulsão de um partido, porque jogou bilhar com um homem, amigo, político, mas da oposição. A verdade é que se nota, cada vez mais nos eleitores, em especial, nos que participem em associações de pais nas escolas dos filhos, outros em outras formas de associativismo, que escolher e decidir votar, implica reconhecer o mérito, do candidato mais que a sua filiação partidária: as pessoas consideram, por um lado se o candidato as considerou e se algo fez em pró da sociedade, da cidade, da freguesia, ou pela associação que representam e estão inseridos, um valor acrescentado que mereça ser eleito ou reeleito. Já não basta um líder, mesmo que se julgue invencível, apontar ou aconselhar e propor candidatos, esse tempo acabou, e as próximas autárquicas irão responder a muitas duvidas actuais.