O aperto é agora certo para os madeirenses. A redução nas transferências da União Europeia está anunciada. A Lei de Meios termina. Lisboa tende a ser mais forreta connosco, muito pela má imagem do Governo. As receitas fiscais estão em queda, sem vislumbre de melhoria. E, não esqueçamos, existe uma dívida ("abençoada" e "colossal") para pagar. Assim, a crise obriga o Governo a optar entre cortes no apoio social, no investimento ou na despesa de funcionamento do Estado. Sabemos agora que optou pelas três mas em proporções diferentes. Algum investimento continua, exclusivamente na construção mas o grosso da despesa do Governo, da Assembleia e das empresas públicas mantêm-se, como o Jornal da Madeira e as Sociedades de Desenvolvimento. Os cortes atingiram as escolas, onde os pais pagam até o papel dos testes apesar dos resultados estarem entre os piores do pais. Na saúde, as carências vieram para ficar, já até admitido pelos deputados laranjas. A lista de espera para cirurgia tem Lei diferente na Madeira, evitando aos gestores o incómodo de responderem pelo incumprimento. Os subsídios de insularidade acabaram. O desemprego grassa na Região e os paliativos escasseiam. A pobreza envergonhada abraça-se com a alimentação deficitária, o incumprimento bancário e a emigração. O sentido profundamente humano dos madeirenses permite uma boa resposta caritativa. Mas chega? A descapitalização das famílias acabará por chegar à própria caridade. O desafio dos madeirenses para 2013 será encontrar um rumo novo, umas respostas diferentes. O que fazer com os 25000 desempregados quando o subsídio de desemprego acabar? Que educação e saúde queremos? Como pagar? Que "mordomias" teremos coragem de eliminar? Uma coisa é certa, o Dr. Jardim empurrará os problemas para a frente. Sempre resultou. Mas ele sabe que agora já não! Saberemos todos?
Mário Pereira, Deputado do CDS na ALM