O processo de definição interna que o PSD-Madeira atravessa actualmente tem-nos permitido vislumbrar uma série de candidatos a candidatos. Tem sido um exercício interessante, porque permite todo o tipo de raciocínios e palpites. Colocando de lado os dois militantes que já assumiram aquilo que querem, sem rodeios, resta-nos ainda um círculo não muito numeroso de individualidades que têm se esforçado por mostrar que também querem alguma coisa. Dentro daquilo que é possível especular, e conhecendo relativamente bem todos os protagonistas em causa, prefiro conjecturar sobre aquilo que alguns não querem, mesmo que insinuem que o querem muito. Explico-me melhor: temos a tendência de resumir as aspirações dos potenciais pretendentes a uma suposta corrida pela liderança, mas sobretudo os que andam nisto há tantas décadas como Jardim, obviamente que querem tudo menos as chatices da presidência de um partido e, por tabela, de um governo. Sobretudo nesta fase, que vai durar uns bons anos, em que os recursos públicos escasseiam. Bom mesmo é ter ordenado principesco, gabinete, secretárias, carro e ‘chauffeur’ e tempo para ir ver a bola, ao mesmo tempo que se administra uns negociozitos por fora. Ora, fica fácil de ver que, apesar dos ameaços, sob a forma de voz grossa ou em pezinhos de lã, pretenderem dar a entender que querem lutar pelo ‘cadeirão’ principal, a verdade é que desejam apenas marcar uma posição, disponibilizando-se depois para ‘desistirem’ a favor de outras ‘cadeiras’ bem mais cómodas. Tão cómodas como as que têm desfrutado até agora, que dão acesso a mordomias infindáveis e sem grandes exigências. Com essa grande vantagem de ficarem praticamente imunes a críticas sobre a pouca obra em que puseram as mãos. E que, nalguns casos, seria publicamente menos desastroso se não tivessem feito mesmo nada... Ao fim e ao cabo, na corrida à liderança não se joga apenas a disputa do lugar cimeiro. Até porque lá só cabe um de cada vez e quem por lá anda sabe isso melhor que nós. Quem lá chegar vai ter muito para distribuir. É para esse remanescente dourado que alguns correm, mesmo que se esforcem por mostrar outros objectivos. É bom que fiquemos atentos, militantes ou não, a todas as movimentações. Perceber estas estratégias ajudar-nos-á a formar a nossa opinião sobre cada um. E, no final, que ninguém se admire quando concluir que muito boa gente pensa em tudo menos na missão pública.