Grave e ridículo: "Gosto de empurrar as dificuldades com a barriga e ir sempre em frente", disse o Dr. Jardim. É a frase do ano! Palavras ditas frente ao Corpo Consular. Devem ter ficado incrédulos perante tamanha barbaridade discursiva, jamais admissível sequer num presidente de um clube de bairro. Tratou-se de uma inequívoca demonstração que não sabe o que significam as palavras rigor, prioridade, auto-sustentação, integração, optimização dos meios, no fundo, o que significam as palavras planeamento e responsabilidade civil e criminal. Perante tais figuras, o Dr. Jardim disse exactamente o contrário do que mandam os imperativos da governação. Acabou por justificar o desastre económico, financeiro, social e cultural da Região, consubstanciado nos vários e preocupantes indicadores, do desemprego à pobreza, do sistema empresarial aos direitos sociais. Dir-se-á que tanto empurrou que caímos em um colossal buraco que levará muitos anos para tapá-lo no sentido de devolver a dignidade à população. Aquele homem que diz governar a Região é, de facto, um irresponsável político. Fizesse ele na sua casa, na sua família, o que tem feito na administração desta terra e, certamente, o Banco de Portugal já o tinha em lista negra, já lhe tinha retirado o livro de cheques e, provavelmente, já tinha sentado o rabinho no banco dos réus. Mas, com os dinheiros públicos é o que se vê e sabe: é gastar à grande, como se o saco dos dinheiros europeus, nacionais e o dos impostos dos madeirenses e porto-santenses não tivesse limitações. E quando elas surgem, aí vai ele, empurrando com a barriga, "prà frente sempre", culpabilizando os outros pelo seu próprio desnorte. Ser governante, não basta uma quinta, um gabinete, um staff e uma tesoura para cortar fitas. Implica profundos conhecimentos de economia e finanças, um grande domínio dos vários sectores sociais e produtivos, sentido democrático, aguçada capacidade prospectiva e bom senso na decisão. Ora, aquilo que, politicamente, o presidente do governo apresenta contraria o leque essencial do que um governante deve ser portador. É por isso que todos vamos sofrer. Todos menos alguns, os da teia, os do clã, os que estão sentados à mesa do orçamento.

André Escórcio