A 14/12/1999 assinei, no DN, o texto abaixo. Reproduzo também parte dos mimos publicados, dia 15, no JM. Os textos são causas, das consequências falaremos no fim. "A FÉ UNE-OS! Os entes públicos devem explicar muito bem o modo como se relacionam com os privados. Recorrem a concursos públicos para todos sabermos como se aplicam os impostos, por um lado, bem como da isenção de escolha dos fornecedores de serviços, por outro. O Dec. Reg. nº 21-A/99/M criou, uma empresa de capital público, a Vialitoral. O objecto da sociedade é a manutenção da nova rede viária entre Ribª Brava e Machico. O 1º aumento do capital é subscrito por privados, ficando a RAM com 20% do capital. O GR baseado em princípios gerais, definidos no art.º 4, seleccionará os subscritores do capital. O GR, "pela-se" (em madeirense significa grande apetência) por se misturar com tudo e todos. Foi assim com o futebol. Tentou o mesmo com a ACIF. Capitais públicos e privados misturam-se na Vialitoral. A lei deixa à empresa a contagem das viaturas que irão circular. Não expõe critérios de remuneração dos trabalhos nem de avaliação da sua qualidade. Elementos essenciais para fazer contas! Embora surjam nomes de empresas, dispostas a corporizarem esta operação, tudo está sob a forma de legislação que aguarda importantes definições. É nesta fase que, em Novº, surgiu uma proposta de alteração do Orçamento da RAM, onde se prevê que a Vialitoral entregará ao GR 23 milhões de contos, pela transferência dos lanços construídos, (a totalidade da obra serão 50) a 31 de Dezº de 1999. Os privados, a escolher pelo GR, acreditam que irão receber as receitas de manutenção, nos próximos 25 anos. O GR, que ainda não escolheu os felizardos, acredita que eles lhe pagarão 23 milhões até 31 de Janº próximo. Isto é fé! Pode, também, ser um negócio de matriz familiar entre primos e primas. Não podendo endividar-se, outros endividam-se pelo GR. Os privados aceitam, porque garantem trabalho por 25 anos. Os impostos, apenas são devidos daqui a anos, o GR antecipa-os como receitas de 1999. Tudo isto funciona se não for mexido o bolso do Zé. Vão mexer-lhe e não se sabe como, quando e quanto! Preparem-se os contribuintes para pagar mais qualquer coisinha, nem que seja no "selinho do pó-pó". Resolva o Gov. comprar o avião (DN 5/12) e aí será pior! Estas manipulações orçamentais não são exclusivas da RAM. Há entidades com competência neste tema. O Tribunal de Contas, a par das minudências, deve preocupar-se com questões da simbiose público-privadas da Vialitoral. Excluindo o Vale do Tejo e o Grande Porto (têm rendimentos superiores à média nacional), imagine-se que cada aglomerado de 270 mil almas se endividava (nestes 24 anos) como a RAM. O País já teria ultrapassado o caos financeiro atribuído à 1ª Rep. Chegou a hora de surgir um veto político a orçamentos destes, que suportam a inimputabilidade (coisa de crianças e dementes) política dos seus responsáveis." No artigo, publicado no JM, lê-se:"…o patriota Gaudêncio diz umas para nos divertir. Em limitação amanuense e formação burocrática, ainda anda naquela de isto não avançar para não haver dívidas! Peço desculpa à população deste senhor ter integrado um GR durante 2 anos e meio". As copiosas votações alcançadas justificavam, aos incautos votantes, os insultos que, infelizmente, não corrigiam as asneiras feitas. Insulto, provindo de um dirigente político, tem de ser encarado em três vertentes. São elas: o dirigente na sua dimensão de Pessoa Humana; na sua relação individual com cada um de nós; e, quando, procurando votos, age sobre o colectivo. No caso em apreço, a frequente exaltação da palavra, induz ao Pecado Mortal da Ira. Deverá, por isso, pedir perdão a Deus, confessando-se. Àqueles a quem, como eu, ofendeu, (eu, não esquecendo, já perdoei) após o perdão da confissão, imbuído de humildade cristã, deve pedir-lhes desculpas. Finalmente, as artimanhas eleiçoeiras, com destaque para o desempenho de cornaca lá no cimo do paquiderme caçando votos, devem cessar. Arrependido e cheio de humildade cristã, tem de, publicamente, reconhecer os embustes e pedir desculpa aos eleitores por si enganados. Aproveitará as desculpas públicas para repudiar o avião falado nos jornais, como adquirível (mais um calote!) em 1999. Seria um comportamento digno de um Cristão de sólida formação se neste período de PAZ NATALÍCIA se reconciliasse com os seus concidadãos. O (e)leitor precisa que lhe fale das consequências? Não creio, os efeitos dos erros são aterradores e bem visíveis.
Gaudêncio Figueira