Por estas alturas festivas, e em meios mais rurais, é costume ouvir-se perguntar: o que pediste ao Menino-Jesus? A esta questão responderia: meninos, Jesus! Sim, ao Menino-Jesus eu pediria meninos. Admito que nesta fase do texto o leitor já se esteja a indagar desta introdução, para mais nesta secção do matutino. Todavia, entendo que, para que o Menino-Jesus me possa satisfazer o pedido, serão necessárias, efetivamente, políticas adequadas. Na verdade, opções políticas de apoio à família, à maternidade e à paternidade, ao desenvolvimento de agregados familiares de maior número, à possibilidade de inverter o saldo natural negativo que se vem a acentuar de ano para ano, são medidas urgentes que poderão contribuir para que o meu sonho se concretize e para que possamos ter mais meninos a viver o Natal por cá. E para que a instituição família se desenvolva e se preserve importa igualmente criar condições para que alguns dos meninos que por cá nascem não tenham que acompanhar os seus pais de volta a países da emigração. Importa que aqueles que trazem meninos ao mundo, trabalhando e pagando impostos, tenham um ensino público mais gratuito, tenham mais agilidade e flexibilidade no acesso às consultas de pediatria e acompanhamento infantil nos serviços públicos. Importa que um país que é célere a legislar em matérias de interrupção voluntária da gravidez dê respostas ágeis e de qualidade àqueles que precisam de consultas de especialidade para os seus meninos e não sejam convidados a procurar respostas no sector privado. Quiçá, quando assim for, o Menino-Jesus nos dará a todos mais meninos. Boas Festas!

Nuno Maciel - Professor