José António Abreu Sousa Sou um jovem com a doença de Ataxia Friedrich, uma doença neuromuscular degenerativa, que ataca o sistema nervoso. O meu dia-a-dia é passado numa cadeira de rodas. Sou de uma família muito humilde, e como tal "eles" família não têm como ajudar-me. Como um azar nunca vem só, tenho mais dois irmãos com a mesma doença, um com 27 anos, outro com 30 anos, e eu tenho 42anos. Os meus pais ainda são novos, ambos com 64 anos, mas principalmente a minha mãe, tem muitos problemas de saúde, sofre de diabetes, e ao fazer esforço para cuidar dos 3 filhos deficientes no seu dia-a-dia, acabou por ficar a sofrer da coluna de tal maneira, que o médico que lhe tem acompanhado, também lhe disse que as dores na coluna infelizmente são irreversíveis, só com medicação é que torna o dia-a-dia da minha querida mamã mais suportável. Felizmente que há 3 anos atrás abriu a A.P.C.M. (Associação de paralisia cerebral da Madeira), onde a mesma tem um LAR onde nós 3 irmãos estamos internados, dando assim um grande "alívio" á coluna "dela", mamã. O meu pai já esteve internado, ao longo da vida 8 vezes com problemas de alcoolismo, e daí que teve que pedir uma reforma antecipada. Ficou a ganhar cerca de 250€ mês. A minha mãe tem uma pensão de invalidez de cerca de 300€. O meu pai toma medicação, a minha mãe igualmente, praticamente a reforma do meu pai e a pensão da minha mãe, mal dá para a medicação, alimentação, e as despesas da casa. Eu tinha uma cadeira de rodas eléctrica que foi oferecida com doações em dinheiro até alcançar o valor para a dita cadeira, o peditório foi feito por várias paróquias. A cadeira avariou e o conserto é muito caro. Desde o início do mês de Dezembro que estou estritamente limitado ao meu quarto e pouco mais, porque com uma cadeira de rodas manual fico totalmente dependente de terceiros, e com uma cadeira de rodas eléctrica fico totalmente autónomo em termos de deslocações. Os meus 2 irmãos mais novos vão a casa ao fim de semana, porque ainda têm alguma autonomia eu só vou ao domingo de manhã e regresso para o LAR no mesmo dia, mas da parte da tarde, porque devido ao adiantamento e progressão da doença sou totalmente dependente de terceiros, e como a saúde dos meus pais não lhes permitem ter-me em casa ao fim de semana, fico no LAR permanentemente. Ambos os meus 2 irmãos têm cadeira de rodas eléctrica e o mais novo como é bastante mais autónomo por enquanto, ele usa uma cadeira de rodas manual ao fim-de-semana . Por isso ele cede-me a cadeira na ausência dele e eu aproveito e ao sábado vou ao centro comercial tomar um cafezinho e fazer algumas compras, mais propriamente produtos de higiene, e conviver com algum amigo que encontro casualmente. O problema para mim é quando ele regressa de fim-de-semana para o LAR, usa a cadeira eléctrica e eu sou "obrigado" a usar uma cadeira de rodas manual. Tanto eu como os meus irmãos temos uma pensão de sobrevivência de 300€, mas cada um de nós pagamos 80%, ficando 20% em nossa conta, dá para ir tomando café e algum produto de higiene em falta. Venho por este meio pedir encarecidamente a todos os leitores do Diário de Notícias se poderem ajudar de alguma forma eu serei eternamente grato. Eu peço que analisem com todo o carinho, e com espírito bastante solidário, e me ajude a ser mais autónomo, com uma vida muito mais agradável de viver. Eu peço que façam chegar o meu pedido para me ajudarem, na melhor solução possível, a todas as pessoas conhecidas por vossas excelências que sejam solidárias para com o meu problema.