Hoje 24 de Dezembro, muitas famílias não terão condições para festejar a quadra natalícia, evento cristão amplamente celebrado por muitas comunidades, num ambiente de união familiar, onde se trocam afetos e presentes, revivendo e reforçando costumes e tradições alusivos à época. Este acontecimento apresenta-se como uma pausa agradável, perante a difícil realidade económica e social com que nos deparamos, confrontados que estamos com a diminuição dos níveis de proteção social, aprofundamento das desigualdades desemprego e empobrecimento, numa sociedade dominada pela lógica da eficiência e do lucro. O problema do envelhecimento e as respostas dadas ao cidadão idoso, são uma matéria de capital importância, numa sociedade com dificuldades para enfrentar o aumento exponencial de pessoas com mais de 65 anos de idade. A centralidade do tema nas sociedades ocidentais tem vindo a forçar o poder político e a sociedade a encontrar novas alternativas, importa questionar quais as respostas para esta realidade e o que fazer para não marginalizar e isolar os idosos da comunidade, num quadro de maior longevidade e propensão a doenças crónicas? Continuaremos a assistir a baixos índices de natalidade e a um elevado número de pessoas idosas em relação ao resto da população. Continuará a subsistir dificuldades para as famílias cuidarem dos idosos nas suas casas, principalmente as que têm dependências motoras e cognitivas. Este facto conduzirá a uma maior procura dos serviços da segurança social. Face aos recentes acontecimentos em torno do projeto Atalaia Living Care e às dificuldades evidenciadas nos lares públicos da segurança social, deixaram a descoberto as fragilidades e a ausência de respostas sociais para integrar e cuidar dos cidadãos idosos. O debate sobre o envelhecimento ativo nas sociedades ocidentais deve constituir uma oportunidade para estes encontrarem formas de continuar a contribuir para a sociedade e a partilhar as suas experiencias, no entanto as prioridades dos últimos anos não foram decerto os cidadãos mais velhos da nossa comunidade. Estamos no final do ano europeu do envelhecimento ativo e da solidariedade entre gerações com várias iniciativas no sentido de refletir sobre a forma como os europeus e particularmente as pessoas mais velhas estão a viver e a desempenhar o seu papel no mundo do trabalho e na sociedade. Ao terminar esta etapa estará a sociedade mais preparada para enfrentar e responder aos desafios do progressivo aumento dos cidadãos idosos, evitando que sejam um grupo de pessoas excluídas? O tempo o dirá. Num clima de adversidade em que não podemos abandonar a esperança, desejo a todos os leitores deste matutino, um feliz natal e que o ano de 2013 seja novo ponto de partida para a prosperidade e a solidariedade.

Juan Carvalho