Jardim é dos pecadores que finge confessar-se pela festa, embora se dispense de pedir perdão público. Está habituado, e mal, que neste tempo de boa vontade, de cantoria matinal e de cheiro 'a vinho e alhos' e tangerina, o povo seja tolerante. Apesar de ter "a pança a urrar", os ossos quase à vista e os olhos molhados pela angústia, o "humilde, estóico e valente" povo condescende e conforma-se, mesmo que o infractor não se emende, continue a abusar dos contribuintes e a ofender os diferentes. Na última semana foram muitos os momentos e os discursos reveladores de preocupantes perturbações. Há um dramático e humilhante quando o ainda presidente assumiu que gosta de "empurrar as dificuldades com a barriga e ir sempre em frente". Como toda a gente sabe, são poucos os que nesta terra têm barriga musculada, capaz de empurrar o quer que seja, ou bem cheia, para melhor cobrir as irresponsabilidades. E também é público que pela frente só há um enorme buraco financeiro cavado pelos fartos do regime, um abismo à espera dos desprevenidos, um beco sem saída para os jovens em formação, um muro intransponível para quem perdeu trabalho e um aeroporto de onde partem, sem direito a despedida, os novos emigrantes. É por causa dos barrigudos do 'jogo do empurra' que há excesso de Estado, desleixo governativo e economia comprometida. E também uma maioria acomodada, alguma mediocridade na oposição e silêncios cúmplices da República. Tudo contribui para a institucionalização da miséria, para a alienação do respeito pela dignidade humana e para que a Madeira continue a apresentar a tendência de ultrapassar os limites de endividamento, como constata o Tribunal de Contas, ou que volte a ter um PIB regional abaixo da média europeia, como revela o INE. Resta saber se todos os que nos últimos quase 40 anos foram deliberadamente encostados ao desespero por quem nunca tem culpa da desgraça colectiva tivessem força e poder, barriga e audácia, a exemplo do atrevido das galerias de São Bento, diriam que "a democracia é uma ilusão" e agiriam em conformidade?! António Trindade, Administrador de Porto Bay O grupo que lidera continua a arrecadar prémios dos operadores turísticos internacionais, sinal da qualidade da oferta. Mas também a ser generoso para quem precisa. Um exemplo que o poder devia respeitar em vez de enxovalhar. Marco Ferreira, Árbitro Graças ao seu mérito e bons desempenhos é a primeira vez que a Associação de Futebol da Madeira tem um árbitro com as insígnias da FIFA. Um momento para valorizar e aproveitar na formação dos que são necessários ao futebol justo. Alexandra Mendonça, Presidente da APRAM A boa promoção continua a dar resultados num ano que será histórico para o porto do Funchal, em termos de passageiros e receitas. Manter a ambição e os números é bem mais difícil do que atingir recordes. Por isso, nada de deslumbramentos. Teixeira de Ornelas, Director das Pescas O tribunal deu por provado o crime de abuso de poder no caso das licenças de pesca. E porque foi o elo mais fraco num processo a que escapa o topo da hierarquia, este é um caso que jornalisticamente muito promete. Álvaro Santos Pereira, Ministro da Economia As taxas aeroportuárias vão baixar na Madeira, o que garante competitividade ao destino turístico. O governante nacional reconhece que essa será uma consequência do futuro contrato de concessão. Estranha-se a estranheza de Estudante.